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"Entre livros nasci. Entre livros me criei. Entre livros me formei. Entre livros me tornei. Enquanto lia o livro, lia-me, a mim, o livro. Hoje não há como separar: o livro sou eu - Bibliotecária por opção, paixão e convicção".

Lemos porque a necessidade de desvendar e questionar o desconhecido é muito forte em nós”

"O universo literário é sempre uma caixinha de surpresas, em que o leitor aos poucos vai recolhendo retalhos. Livros, textos, frases, poemas, enfim, variadas formas de expressão que vão compondo a colcha de retalhos de uma vida entre livros. É o que se propõe".

Inajá Martins de Almeida

assim...

"Quem me dera fossem minhas palavras escritas. Que fossem gravadas num livro, com pena de ferro e com chumbo. Para sempre fossem esculpidas na rocha! (Jó 19:23/24)

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“Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância.”

Fernando Pessoa - Poeta e escritor português (1888 - 1935)

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quarta-feira, 2 de maio de 2018

A BATALHA NOSSA DE CADA DIA

As manhãs, quantos momentos, desvendam-nos em caixinhas que, ao serem abertas vem ao nosso encontro como bálsamos para nossos ensejos maiores.

Vi Carlos Tampa, durante a Feria do Livro de Ribeirão Preto 2017, rodar a praça com sua bicicleta repleta de livros. 

Momento mágico e poético. A cada visitante do espaço livreiro um gesto amigo, sorriso franco, um livro partilhado ...





Hoje a publicação, a foto, as palavras vieram soar como címbalo em meu sentir maior. 

Através das linhas tecidas, pude tecer outras tantas.

O cenário entre as máquinas de escrever e de costura - registro em foto - pode me levar às memórias, quando as trouxe à minha própria vida: meu pai escrevia textos, artigos e livros, numa - a máquina de escrever - minha costurava noutra - máquina de costura - meus vestidos mais primorosos. 



Máquinas em minhas mais queridas lembranças.

O amigo fala das agulhas de crochê... Ainda as mantenho comigo... Com elas arrisco pontos, teço peças... Herança de família.

A máquina de costura, não me ficou como herança, mas a de escrever, essa sim me acompanha desde tenra idade, até os momentos atuais. 

Essa tal máquina de escrever, mudou sua forma de ser - hoje é o teclado que escrevo e a tela em que me percebo artesã das letras e das linhas - das linhas do texto às linhas das agulha de crochê.

Realmente lembranças de nossos pais que nos forjaram artífices das palavras, das letras, das linhas, dos livros.

Estar aqui neste momento, em que o amigo me calou tão profundamente, fora um encontro dos mais agradáveis.

Este é o universo a que nos temos adentrado nos últimos anos. 

Universo que aproxima pessoas distantes. Adentra nossos lares e nos tornam partícipes da mesma obra.


Grata pelo belíssimo texto e pela imagem que me fez viajar ao túnel das minhas mais significativas lembranças - memórias que se perpetuam através de outros tantos retalhos de memórias, que o tempo jamais se distancia, ainda que distante.


Inajá Martins de Almeida

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Ademais, outra indicação me chamou atenção. Fora através de pesquisa sobre a foto que me encantou. Logo aos primeiros dados lá estava ela... Sorrindo para mim... Abrindo-se em encantos ...  
Aquela imagem registrava uma história real ... Adentrei suas linhas; aos poucos encontrei-me em seu enredo... Ainda não alcancei o desfecho, mas quero registrar aqui meu primeiro contato, logo mais postarei outros... Confira você também meu leitor em Livro de Lírios...   https://lymurat.wordpress.com/2014/08/30/um-anel-uma-maquina-de-costura-e-uma-historia-de-amor-parte-01/

   

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

HÁ POEMA EM MIM!

por Inajá Martins de Almeida

Há poema em mim!
Pensamento ao léu
A destecer o véu
Rima me sobrevém
No verso que faço
Ora aos pedaços!

Há poema em mim!
Grita forte no silêncio
Da noite tenebrosa e sombria!
Ao silêncio a rima silencia.

E procuro em vão
No meu desvario noturno
Na insônia que me acomete
E não mais me aborrece
A métrica do verso
Porque sei
Que há poema em mim!

E se amanheço poema
Entre gorjeios no ar
Livres pássaros saúdam
Manhã que prenuncia dia raiar
Reconheço em mim
O poema que me escreve
E me eleva
Bem acima da rima do verso.

No papel a deslizar pena suave
Sei que se há poema em mim
E se for bem
Se vier o poema brotar
Que faça por mim
O que em se possa encontrar
Entre o silêncio que silencia
E alma que clama.

Não a poeta que não se vê
Mas a que se encontra
Nas entrelinhas além da rima
Além do que o silêncio silencia
Porque mesmo assim
Há poema em mim!

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

RETALHOS!


Retalhos!
Não os contei
apenas aos poucos
fui dando forma.

Linhas coloridas escolhidas
individualizava
a peça comum
industrializada
na estante
comercializada
agora singular.

Retalhos!
Trabalhos que
concluíram ciclos.

Presenteados foram alguns.
Pedacinhos de sentmentos
ponto a ponto
se envolvendo
em fios tecidos...
Vazios preenchidos.


os bordados delicados em lençoizinhos e babador obra de minha mãe


E os dias contados
entre retalhos
fios e tramas
preencheram espaço
alcançaram novas fronteiras
alargaram sonhos e realidade.

Retalhos!
Tornaram-se vivos
ganharam o sopro
puderam expressar 
a sensibilidade
da artista.

Retalhos!
Não mais simples
retalhos.

Retalhos
entre o ano que 
se findou - 2017
e o ano que se abre
a novos
retalhos! - 2018


domingo, 23 de julho de 2017

TUTTI PARTIU

Último dia de Tutti
Manhã de segunda feira 10 de julho de 2017, Tutti amanhecia entregue. Coração enfraquecido. Gerê queria reanimá-lo, esquentá-lo com seu calor. Observava triste. Parecia entender o drama, o amiguinho que logo partiria. 

Tutti partiu rodeado por carinho. Vibrante deixará saudade e muitas lembranças que podemos compartilhar em momentos felizes.  


Tutti brinca com Gerê.


Observador. Há pouco voltava do PET todo garboso. Foto de 2011. Olhinhos vibrantes. Brejeiro até os últimos momentos.
Jamais imaginei que iria nos deixar tão rapidamente. 
Saudade Tutti

Entre nossa jardinagem, Tutti a tudo acompanhava. 2011. São Carlos. Nossas plantas, o pouco espaço. Tutti parecia compartilhar a alegria da transformação do pequeno jardim que se formava. 


Tutti e Gatusha tranquilamente posam para foto

Dormia tranquilo quando acordado para foto. Faz pose ainda...



sexta-feira, 16 de junho de 2017

POETA DE ÁGUA DOCE - Maris Ester A.Souza

A 17ª Feira do Livro de Ribeirão Preto, em 2017, trouxe-nos momentos inesquecíveis: 

- A primeira professora a ser homenageada - Maris Ester 
- o reconhecimento entre amigos 
- a troca sincera de olhares e abraços ternos
- lembranças e homenagens que perpetuam momentos - facebook

No dia sete de junho, no palco a protagonista Maris Ester tecia palavras elogiosas a amigos que lhe foram gratos no passado e presentes no presente: - Maria Helena, com o quadro emoldurado, resgatando o sorriso e olhar terno da amiga; Inajá em admiração ante a leitura do poema que a poeta lhe dedica - "Poeta de água doce".

Nessas águas me deleito. Percebo-me como o vento a penetrar minhas entranhas e me torno flor...

"Sinto-me que não posso ser flor... Vejo-me frente do dicionário procurando significados, tentando descobrir o que me tornou flor".  

E as palavras contidas no verso, despertam-me a outras tantas...

A distância que nos separou. A distância que nos aproximou num abraço demorado e me diz ...

"Cortam-se os laços, podam-se as quimeras, tudo parece tão previsível, terá sido tudo em vão?"

E te digo:

Nada fora em vão. Nossos pensamentos sempre estiveram conectados. Nossas mensagens sempre produziram frutos. Somos flor que o Eterno nos teceu com mãos da Sua eterna Sabedoria. 

Somos sim poetas de água doce...

do livro "Nua para o Criador... Vestida para a humanidade", edição 2001 - Maris Ester A.Souza






terça-feira, 20 de setembro de 2016

SEMENTE



Você já se pensou semente?



Planejada
Arquitetada
Amada
Semente...


Eu posso semente me pensar
Aquela dentre tantas
que se perde na imensa poeira
da corrida que a medalha
me fez ganhar:
semente!







Eu semente fui
Eu semente sou
germinada
ainda inacabada...

Semente em construção
semente a divina mão
em outra semente multiplicou...





Semente
somente
na mente
semente
que um dia 
à terra retornará
semente!

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Inajá Martins de Almeida - São Carlos 06/09/2016

sábado, 3 de setembro de 2016

SILÊNCIO - Inajá Martins de Almeida

Ao silêncio consigo silenciar meu interior e poetar

clique sobre a imagem


Tarde de sábado - São Carlos 03/09/2016
É Inajá que escreve e no silêncio da tarde que se faz chuvosa se deixa registrar neste blog.   
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segunda-feira, 25 de abril de 2016

NOTAS AS VENTO

Sempre as notas a me envolver
ao querer 
se expressar
de mim!


Neste 27 de março mais uma nota leva o vento. Contam-se em sessenta e seis... Quantas mais? Que venham outras tantas notas...

O sorriso de Rafaela me emociona... O presente embrulhado em papel prateado me dá a dimensão do conteúdo... A xícara, não pudera expressa amor maior... Ao som da melodia meu coração vibra de alegria e me deixo quedar neste espaço !




Ao me entregar o singelo presente
meu coração saltou aos olhos.


A xícara
a pentagrama
as notas dispostas
levaram ao vento
meu pensamento.


Notas ao vento
posso entoar
cantar
bailar
sonhar...


E sonho 
Notas ao Vento...














Sempre Notas as Vento
revolvem meu pensamento
que se lançam ao vento...

Lembradas as notas
nesta página escritas
quem a imagina
Notas que trazem o vento...

27/03/2016

domingo, 24 de abril de 2016

LEITURAS EM FOTOS E POEMAS




Floriu nosso jardim
porque nosso jardim floriu
floresceu em mim 
um jardim!



Amor Agarradinho
Minúscula semente
germinou

Quanto tempo aguardada
cultivada
encantada
amada
seus ramos se desenvolvem
e florescem
e agradecem
e crescem...

Cordões dependurados
desabrocham gotas 
como de orvalho
mas não prateadas
rosa...

Meu coração se tinge de rosa
Agarra-se ao amor
do Eterno
e vislumbro a natureza
em amor do amor maior...







Aqui são as lágrimas vermelhas
em cachos generosos...

Natureza de Deus
em nosso jardim...

Pulsa em mim
o agradecer a criação

Divina Arte de Deus
a nos inspirar
poesia...



terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

PINÓQUIO

Quarta-feira. Amanhece. Chove em São Carlos. A cidade comporta-se cinza. O prateado da fina água chama atenção ao barulho que os carros provocam em suas poças no asfalto. Aproveitar o dia é tudo que ansiamos, afinal 2016 se aproxima. Chegamos aos trinta dias de dezembro.

Os pássaros se alegram. Cantam. Agitam-se. A praça se cobre de verde. As flores resplandecem suas cores várias.

Água. Vida. A chegada do ano promete surpresas. A natureza se abre à esperança. Eu me alegro. Planejo.

O livro em mãos me fala da magia. Lindo. Encantador. Pinóquio. Entusiasmam-me os versos. Volto à infância. Sinto-me criança. Danço aos versos de Letícia Dansa e passo a trovar:


Quem na infância
não pensou em travessuras
não se sentiu criança
quando no tempo volta à leitura.

É Pinóquio que traz à lembrança
da casa dos pais o aconchego a embalar
belas histórias, sonho da criança
sonhos que se podem sonhar.

E passa o tempo e torna a passar
mas a criança que vive e sonha o livro
logo se põe a contar
lembrança do passado distante, tão vivo.

Livro que pudera encontrar
livro que fora encontrado
entre tantos na estante a clamar
- quero por ti ser abraçado.!

Agora é ele que passa a inspirar
sonho e poesia
da menina distante a sonhar
com fadas, varinhas... quanta magia!

Aprecio o livro
a magia que ele inspira
é o olhar do leitor
que a ele aspira.

E percebe leitor amante
que fala suas páginas como se vivo fora
com boca, cérebro, narinas.

O livro respira!
O livro inspira!

Leitor descortina
as linhas do autor.

Desvenda seus sonhos ocultos
refaz sua veia de poeta
como sombras, vultos
vem segredar, segredos ocultos.

Poemas que não tem fim as linhas embalam
como a ninar a criança
que renasceu em mim.

Letícia Dansa
dansa nos versos da leitora
que adentra a história
na melodia da rima dança...

Dança, Dansa, Letícia Dansa
baila, baila sempre a girar
o sonho da criança
a bailar.

Magia somente possível, quando o livro
se torna a ler
leitura que encanta
quando se aprende a fazer.

Saber ler é uma arte
descobrir sua beleza também
aprende-se a andar
não se distancia do falar.

Mas... é quando se aprende a ler
logo a escrever
que se dá a completude
a completude do ser.

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Esta é a leitora. Esta sou eu quando não consigo  me separar do livro. Aprecio-o. Estudo sua capa. Seus autores. Organizadores. Tudo me leva ao encantamento.

O livro fala. Bibliotecária que aprendi a ser, percebo o livro no seu conjunto. Aí a beleza da obra. Ler o livro no seu todo. Eis o segredo, razão porque ele se torna tão importante para que o lê.

Penso no escritor "o Judeu" (Antonio José da Silva - 1705/1739)  e absorvo algumas passagens de suas décimas e que seja prudente o leitor, diante do meu sonho de criança:



Amigo leitor, prudente, 
Não crítico rigoroso, 
Te desejo, mas piedoso 
Os meus defeitos consente: 
Nome não busco excelente, 
Insigne entre os escritores; 
Os aplausos inferiores 
Julgo a meu plectro bastantes; 
Os encômios relevantes 
São para engenhos maiores. 

Esta cômica harmonia 
Passatempo é douto e grave; 
Honesta, alegre e suave, 
Divertida a melodia. 
Apolo, que ilustra o dia, 
Soberano me reparte 
Ideas, facúndia e arte, 
Leitor, para divertir-te, 
Vontade para servir-te, 
Afecto para agradar-te. 

http://www.fclar.unesp.br/Home/Pesquisa/GruposdePesquisa/Dramaturgia-GPD/OJudeu/aobra_teatrocomicot.pdf


Magnifico encontro Pinóquio, Letícia Dansa, Antonio José da Silva. Passatempo alegre e suave pode compor singela melodia, para divertir quem escreve e agradar quem possa ler. 

Inajá Martins de Almeida - São Carlos 30/12/2015)


AMANHECER ENTRE POEMAS

Amanheci entre poemas!
Quem dera os versos
a primavera
cantar pudera.

São as vozes da primavera
que entoam cantos
nos cantos da sala
em abre alas
para passarem.

Poeta!
Poetiza!
o verso completa
realiza
eterniza!











Ao longe Bem-te-vi
Te vi... Te vi... Te vi...
Trina Bem-te-vi
e torna a trinar
sem cessar.


Amanhece
Amanheci
é este meu amanhecer.







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Inajá Martins de Almeida

São Carlos- 09/02/2016 - 

sábado, 18 de abril de 2015

CASA GUILHERME DE ALMEIDA







Um cantinho só para Mário

Espaço reúne doações do escritor Mário de Andrade, patrono da Biblioteca Municipal, ao acervo local na década de 40.

A relação do escritor Mário de Andrade com Araraquara vai muito além do romance “Macunaíma”, marco do modernismo no Brasil, que ele escreveu em seis dias durante férias na Chácara Sapucaia, de seu tio Pio Lourenço Corrêa, em 1926.

Por ser um grande incentivador e colaborador da ideia, ele também batiza a Biblioteca Municipal, que começou a funcionar em 1945.

E lá, a supervisora técnica Fátima Aparecida Zampiero Ramos resolveu criar um espacinho especial para coroar toda a colaboração cultural de Mário para com a cidade, afinal, na década de 40, ele doou seu acervo para a Biblioteca, à época formado por cerca 600 livros. Além de textos autorais, muitos romances, alguns em inglês e francês.

Mas como Fátima conseguiu separar tudo isso em meio a cerca de 55 mil obras? É simples. Desde do fim da década de 1990, quando a Biblioteca Municipal começou a digitalizar o cadastro das obras, ela passou a separar tais livros automaticamente, porém com muito zelo e dedicação.

“Pedi autorização a minha gerente na época para, aos poucos, começar a separá-las, e, assim, fomos deixando algumas separadas para futuramente reuni-las para algo especial, pois são históricas”, diz a supervisora.

Dito e feito. Há quatro meses, efetivamente, Fátima organizou 430 obras e as deixou para visitação em um cantinho especial dentro da Sala “Pio Lourenço Corrêa”. Esse espaço tem visitação gratuita, porém é limitado apenas para pesquisa.
Marcos Leandro
Espaço reúne acervo doado por Mário de Andrade à Biblioteca Municipal
Vale dizer que, com o tempo, alguns livros sumiram, por motivos diversos. “Era fácil identificar alguma peça da coleção dele, pois algumas tinham um selinho. Em algumas situações, ele já havia caído, porém o espaço ainda está ali”, revela.

AMIGOS FAMOSOS - Outra maneira de identificar algum livro pertencente a Mário de Andrade é pelas dedicatórias mais que especiais, assinadas por outros nomes da literatura brasileira, como Cecília Meireles e Vinícius de Moraes, por exemplo. Alguns, inclusive, foram dados como presente à Biblioteca.

“Mário foi um grande incentivador da criação da biblioteca. À época, inclusive, além de defender a ideia junto ao prefeito de Araraquara, ele fez até um pedido oficial em um folhetim da Imprensa do Estado de São Paulo requisitando doações para o acervo. Vale dizer ele que só veio a batizar a Biblioteca pouco depois de sua morte, como uma homenagem póstuma a sua contribuição cultural para a cidade”, finaliza Fátima Aparecida Zampiero Ramos.

A Biblioteca Municipal “Mário de Andrade” está entre as 33 bibliotecas de todo o Estado de São Paulo a ter em seu acervo uma coleção de livros raros. A informação consta na última publicação do Guia do Patrimônio Bibliográfico Nacional de Acervo Raro, da Biblioteca Nacional.
Marcos Leandro
Livro doado por Cecília Meireles a Mario para que este a entregasse à Biblioteca de Araraquara
QUEM FOI MARIO - Mário Raul de Morais Andrade nasceu em São Paulo, no dia 9 de outubro de 1893. Sua influência foi decisiva para o modernismo se fixar definitivamente no Brasil. Estudou música, escreveu sobre folclore, pintura e também foi crítico de arte em jornais e revistas. Em 1917, escreveu seu primeiro romance sob o pseudônimo de Mário Sobral: “Há uma gota de sangue em cada poema”.

Nela, defendia a paz e criticava a Primeira Guerra Mundial e todas as consequências que ela causou. “Macunaíma”, sua mais célebre obra com o famoso anti-herói, teve suas linhas escritas em Araraquara. Muitos pensam que ele e Oswald de Andrade tinham algum parentesco; porém, não é verdade. Mário de Andrade morreu em São Paulo em 1945, aos 51 anos.


domingo, 9 de novembro de 2014

O ATO DE LER : O PODER DE TRANSFORMAÇÃO DA LEITURA

Produção textual do ENEM 2006: O poder de transformação da leitura. Trata-se de um tema de cunho educacional e, assim, também social, pois sabemos que, infelizmente, a questão da educação brasileira é complexa, pois enfrenta vários desafios, inúmeras ordens e a leitura tem um papel muito importante neste cenário, já que através dela e da escrita nos alfabetizamos e nos tornamos cidadãos protagonistas e autônomos.
Este tema afirma que a leitura é transformadora, que possui o poder de mudar pessoas e, consequentemente, comunidades, organizações e até países e é este caminho que o candidato deveria tomar ao redigir seu texto.
A proposta colocava-se do seguinte modo:

1)

Uma vez que nos tornamos leitores da palavra, invariavelmente estaremos lendo o mundo sob a influência dela, tenhamos consciência disso ou não. A partir de então, mundo e palavra permearão constantemente nossa leitura e inevitáveis serão as correlações, de modo intertextual, simbiótico, entre realidade e ficção.
Lemos porque a necessidade de desvendar caracteres, letreiros, números faz com que passemos a olhar, a questionar, a buscar decifrar o desconhecido. Antes mesmo de ler a palavra, já lemos o universo que nos permeia: um cartaz, uma imagem, um som, um olhar, um gesto.
São muitas as razões para a leitura. Cada leitor tem a sua maneira de perceber e de atribuir significado ao que lê.
Inajá Martins de Almeida. O ato de ler. Internet: (com adaptações).


2)


Minha mãe muito cedo me introduziu aos livros. Embora nos faltassem móveis e roupas, livros não poderiam faltar. E estava absolutamente certa. Entrei na universidade e tornei-me escritor. Posso garantir: todo escritor é, antes de tudo, um leitor.
Moacyr Scliar. O poder das letras. In: TAM Magazine, jul./2006, p. 70 (com adaptações).

3)

Existem inúmeros universos coexistindo com o nosso, neste exato instante, e todos bem perto de nós. Eles são bidimensionais e, em geral, neles imperam o branco e o negro.
Estes universos bidimensionais que nos rodeiam guardam surpresas incríveis e inimagináveis! Viajamos instantaneamente aos mais remotos pontos da Terra ou do Universo; ficamos sabendo os segredos mais ocultos de vidas humanas e da natureza; atravessamos eras num piscar de olhos; conhecemos civilizações desaparecidas e outras que nunca foram vistas por olhos humanos.
Estou falando dos universos a que chamamos de livros. Por uns poucos reais podemos nos transportar a esses universos e sair deles muito mais ricos do que quando entramos.
Internet: (com adaptações).

Considerando que os textos acima têm caráter apenas motivador, redija um texto dissertativo a respeito do seguinte tema:
O PODER DE TRANSFORMAÇÃO DA LEITURA.
Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para defender seu ponto de vista e suas propostas, sem ferir os direitos humanos.
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Análise de : 

*CAMILA DALLA POZZA PEREIRA é graduada em Letras/Português pela UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP – Atua na área de Educação exercendo funções relativas ao ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Foi corretora de redação na 1ª fase e de Língua Portuguesa na 2ª fase do vestibular 2013 da UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP. Participou de avaliações e produções de diversos materiais didáticos, inclusive prestando serviço ao Ministério da Educação.

Todos os três textos motivadores da coletânea da proposta de redação do ENEM 2006 abordam o que a leitura é capaz de fazer em nós, leitores e em nossas vidas. 

O primeiro texto, de autoria de Inajá Martins de Almeida, fala a respeito da mudança de olhar que a leitura proporciona àquele que aprender a ler por meio de sua influência, já que tudo o que lemos possui significado (o signo é ideológico, portanto, nada é neutro) e isso estará presente, conscientemente ou não, ao longo de todas as nossas vidas. A autora também afirma que a leitura é uma necessidade humana porque somos curiosos, queremos desvendar mistérios, queremos questionar e que somos leitores antes mesmo de aprendermos a ler, pois desde crianças aprendemos a ler olhares, gestos, sons, imagens etc.
O segundo texto, um depoimento biográfico do escritor falecido em 2011 Moacyr Scliar, fala da importância e da prioridade necessária à leitura na infância e no convívio familiar contando que, em sua casa, faltavam móveis e roupas, mas nunca faltavam livros e, assim, corrobora a importância da influência e da motivação dos pais na leitura de seus filhos, o quanto é fundamental a família proporcionar à criança momentos de iniciação à leitura, mesmo que esta ainda não saiba ler. E, realmente, os exemplos vindos de pais, de irmãos mais velhos, primos, tios, amigos etc são imprescindíveis para que a criança assimile, desde pequena, o quanto a leitura é importante. Não adianta cobrar que seu filho leia se você não lê e aqui não nos referimos apenas aos livros, mas também a jornais, revistas de todos os tipos e tantos outros meios.
O terceiro e último texto aborda o quanto a leitura pode nos fazer viajar através da nossa imaginação, já que nos mostra universos diferentes, as mais variadas histórias, os mais diversos personagens, com seus segredos e fantasias. Este texto trata, mais especificamente, dos livros de ficção, biográficos, ou seja, com histórias mais voltadas ao entretenimento e afirma que, por poucos reais, podemos nos transportar para estes universos e sairmos mais ricos do que entramos e esta questão do preço do livro, no Brasil, pode ser uma brecha para a elaboração da proposta de intervenção social, já que todos sabemos que há uma incidência muito grande de impostos nos valores dos livros vendidos aqui, o que os encarece e, assim, dificulta o acesso, principalmente da camada mais pobre da população, a eles.
Mas, além do preço, podemos discutir outras questões acerca da leitura no nosso país, já que sabe-se que o brasileiro lê pouco em comparação aos leitores de outros países. O brasileiro não possui muito o hábito de ler e isto deve ser transformado através da própria leitura, antes mesmo ou ao mesmo tempo do governo diminuir a taxação de livros no Brasil. Há pessoas que reclamam que livros são caros, mas não se importam de pagar o mesmo valor ou até mais em outro item; o problema é, realmente, o preço do livro ou as prioridades destas pessoas? Livros são caros, mas e as bibliotecas públicas, por exemplo? Por que não frequentá-las? Temos também os sebos, as bibliotecas escolares…
Falando em escola, esta, juntamente com as famílias, tem papel fundamental na formação de leitores, já que é nela em que as crianças são alfabetizadas e passam mais de dez anos de suas vidas. Os professores são leitores? A obrigatoriedade das leituras é positiva? Como escola, aliada aos pais, podem incentivar, motivar e influência que crianças e jovens tornem-se leitores proficientes? Projetos que busquem responder a esta pergunta são, certamente, ótimas opções para uma proposta de intervenção social.
O candidato pode basear todo o seu texto na diferença que a leitura pode fazer na vida das pessoas, socialmente e profissionalmente, já que ler não é importante apenas na escola, mas sim para toda a vida, já que lemos todos os dias, em todos os lugares, em inúmeras situações. Ler e escrever vão além do vestibular e do ENEM; na faculdade vocês, leitores, terão de ler, e muito, e terão de aprender a ler gêneros não lidos antes por vocês (artigos acadêmicos, resenhas, dissertações de mestrado, teses, relatórios etc), ou seja, estamos sempre aprendendo a ler e a escrever.

http://www.infoenem.com.br/analise-de-tema-de-redacao-enem-2006/

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AS PALAVRAS NOS ESCREVEM

Ao olharmos para uma palavra, 
podemos encontrar tantas outras 
as quais poderão falar de nós e nos escrever!

Inajá Martins de Almeida 



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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

FALANDO FORA DE HORA

- por Inajá Martins de Almeida



Falavam. Riam. Caminhavam. Amigos, mãos dadas a observar a paisagem, incansáveis.




Sonhos presente – presentes – teciam as linhas imaginárias no horizonte azul. Grossas nuvens escuras caminhavam... Não se davam conta.





Falavam. Riam. Caminhavam. 


Ao que falavam ao menos conta faziam. Quantas vezes, fora de hora falavam. Não se calavam quando exaltados os ânimos a língua, furiosa, divagava caminhos adversos.



E se magoavam sem sentido. Sem sentir se distanciavam. O amor desvanecia. Olhos choviam lágrimas. Coração brotava mágoas. Sonhos compartilhados por entre os dedos escorregavam.


O abraço apertado ansiava hora de calar.

Aos pedaços, coração sufocava pranto doído. Malas desorganizadas. Partida iminente sufocava o ar. Faltava o ar. Ou será que era A m o R demais que sufocava o ar.

Amor que sufocava o ar? Ar que faltava ao amor?

E quando se pensava que o amor viera para ficar, lá estava ele, mesmo aos pedaços escorregando entre os dedos. Falando fora de hora. Palavras desconexas. Impensadas palavras.




Soubesse agora que o falar fora de hora pudesse falar agora, na hora. 





Soubesse agora o falar fora de hora alcançar o brilho do olhar distante. 





Soubesse agora o falar fora de hora chorar o choro dos que, mesmo sem querer escorregar sonhos por entre os dedos,  conseguem enxergar, nas mãos cerradas, o coração a pulsar.   


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Linda melodia nesta manhã de sábado 22 de fevereiro de 2014. 
Manhã chuvosa. Parece que a chuva inspira. Aspira. Respira. Ah! Chuva. Fina chuva. Pingos a pingar coração doído. 
Eis que a tela traz a chuva a chorar lágrimas, na melodia, na canção, na letra. Tudo compactua saudade. Tudo inspira lembrança. Tudo aspira memória e tece. E registra. 
Será que o amigo distante iria adorar se soubesse?

Compactuo o vídeo. Linda mensagem. Linda melodia.