"Entre livros nasci. Entre livros me criei. Entre livros me formei. Entre livros me tornei. Enquanto lia o livro, lia-me, a mim, o livro. Hoje não há como separar: o livro sou eu - Bibliotecária por opção, paixão e convicção".
Lemos porque a necessidade de desvendar e questionar o desconhecido é muito forte em nós”
"O universo literário é sempre uma caixinha de surpresas, em que o leitor aos poucos vai recolhendo retalhos. Livros, textos, frases, poemas, enfim, variadas formas de expressão que vão compondo a colcha de retalhos de uma vida entre livros. É o que se propõe".
Inajá Martins de Almeida
assim...
"Quem me dera fossem minhas palavras escritas. Que fossem gravadas num livro, com pena de ferro e com chumbo. Para sempre fossem esculpidas na rocha! (Jó 19:23/24)
Cartas sempre nos deixam alegres. Recebê-las. Remetê-las. Quem há de discordar disso! Porém, a brevidade do tempo, as facilidades tecnológicas acomodaram-nos. Distanciaram-nos. Não para Ana Clara, uma garotinha de apenas 8 anos que não se intimida ante o ato de escrever e remeter uma missiva.
O facebook fora o facilitador. O endereço que desconhecia. O desejo ardente de colocar seus sentimentos num livro - escritora "in potencial" a se manifestar. A se expressar.
E eis que numa tarde de julho, a caixa do correio se vê repleta pelo imenso envelope a saltar-lhe, ficando a mostra.
Mãos trêmulas. Cuidado. Respeito e carinho ao envelope que guarda um sonho de criança, sonho a clamar ser compartilhado.
Coração a palpitar. Mãos trêmulas. Vagarosas empenham-se a árdua tarefa de abrir aquelas bordas que foram coladas com esmero.
A surpresa. Há outro envelope. Cuidadoso. Trabalhado. Uma pintura, mais representando um bordado à receptora que aprecia detalhe por detalhe. Sem pressa almeja viver intensamente aquele momento mágico a seus olhos. E sonha. E imagina os anos transcorridos. Aquela "bebezinha" que no mesmo dia do seu aniversário - 27 de março - nascera.
E percebe a força do amor. Esse sentimento inexplicável. O amor! Agora é Ana Clara que se expressa. Seu coraçãozinho tem olhos. É ele - o coração - que lhe direciona às linhas. Ele sabe que o amor da tia Inajá para com Ana Clara é imenso, forte, não percebe distância. Ah! amor. Sentimento inexplicável
Noite anterior Ana Clara diz ter a ideia sobre o livro, quando a tia lhe diz sobre o casaquinho de crochê que tecera. Radiante, sem saber como este seria, passa a imaginá-lo - claro diz o texto. E, através da tela do computador, quem supor pudera reconhecer as palavras, as quais teceriam o texto. O argumento. O desenrolar da história. Ela que já se apresentava como leitora assídua, revela o gosto pela escrita. - Já tenho alguns livros escrito - confessa entre uma escrita e outra no facebook. À sua interlocutora - a tia - uma história dedicaria. Eis que! Passara minha vida entre livros, agora seria a protagonista de um. Quando imaginar me fora possível. O carteiro, não o percebo. Os cachorros dão sinais. Latem. Chamam atenção para o fato. Mas... Seus alaridos não encontram eco. O silêncio respeitoso do profissional. A caixa de correio. O envelope pardo. Apenas aguardam. Agora a surpresa. Em mãos - o livro. Sensação inexplicável. Olhos marejados a percorrer as linhas. Letrinhas bem trabalhadas. Alguns errinhos de português deixam-se levar pela perfeição da imaginação, da escrita, dos desenhos, da formatação, dos detalhes que se encontram nos livros editorados. E o texto começa como toda história deve começar: - Era uma vez...
Agora é a leitora que agradece a dádiva de ser agraciada com a sobrinha neta. Ao sobrinho pudera embalar nos braços. Este a presenteia. Gerações embaladas pelo amor.
Ana Clara.
Pequena escritora desponta.
Alinhava sonhos.
Tece as linhas do imaginário.
Um casaquinho de crochê.
Pontos tecidos
alcançaram aquele coraçãozinho
de menina sonhadora.
Ponto a ponto
a combinar cores:
rosa,
rosa e branco mesclado,
branco o casaquinho anseia o corpinho da menina que sonha e faz a tia Inajá sonhar.
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fotos, montagem, captura de imagens e texto : Inajá Martins de Almeida
a partir da história escrita e registrada em livro: Ana Clara
Tarde de sábado na cidade de São Carlos. A tv registra matéria que me chama especial atenção. Detenho-me compenetrada. Crochê às mãos. Ora resisto à tela. Ora rendo-me a ela. Quando... Um nome... Paulo Fridman. Fotógrafo renomado é mencionado.
Os lugares me são conhecidos por demais: A praça da República, com a magistral arquitetura do colégio a buscar minhas lembranças. Bem... Lembranças a parte, porque são as fotos que entram em cena, mais especificamente os retratos a pedirem passagem. Retratos que falam. Que tem voz na expressão.
Retratos que registram mãos que escrevem. Compartilham sonhos. Desnudam-se ante aos questionamentos. Sombras anônimas que se desvendam artistas na multidão. Artistas das imagens. Artistas das palavras. Artistas no grande palco da existência. Simplesmente artistas que ganham voz nas ruas da metrópole. (clique sobre a imagem)
Um sorriso franco de um profissional que se encontra no próprio retrato. Que usa dos lábios cerrados e do olhar por detrás das lentes alcançar aqueles que olham atentamente através de uma foto. É grátis. Já que o é podemos usufruir dessa gratuidade, ante tantos encargos que nos são colocados. Fardos que muitos mal conseguem se livrar. O sorriso. A satisfação do trabalho gratificante. Felicidade estampada ao redor. Uma equipe que se aconchega e cria voz através da imagem. Felicidade que chega a esta através da tela da tv. Felicidade que pode recontar histórias através deste espaço.
Eis que...
Em 1999, Paulo Fridman saiu pela Vila Madalena, Avenida Paulista, Praça
da República, Galeria do Rock, Largo da Batata e muitos outros locais em São
Paulo, com câmera fotográfica em punho, estúdio portátil, papel, caneta e
algumas perguntas:
Quem é você? Qual seu sonho? E o futuro do Brasil?
Seu alvo: pessoas comuns nas ruas da maior
cidade brasileira, também maior diversidade sócio-cultural da América Latina.
Cada pessoa abordada escrevia ou desenhava no papel a resposta a uma das três
questões. Em seguida era fotografada... postado em 4 de junho ... continue lendo www.paulofridman.com
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Capturas de imagens, configurações, mensagem inicial de Inajá Martins de Almeida - São Carlos 03/08/2013
Há
uns anos atrás, em 2007, precisamente – enquanto Bibliotecária da rede pública
de Bibliotecas, na interiorana cidade paulista de Ribeirão Preto, livros e mais
livros passavam por minhas mãos, para serem processados tecnicamente,
informatizados e organizados nas estantes, para depois, tornarem-se domínio do
público leitor.
Nesse
momento, esse contato físico me levava a desbravar o conteúdo, adentrar ao
universo do autor, conhecer um pouco de seu cotidiano, sua vida, seus gostos,
seus sonhos, suas frustrações.
Fora
o caso do escritor siciliano Giuseppe Tomasi di Lampedusa, que nascido em
Palermo em 1896, não nos deixara vasta obra – a mim não importava, posto não pudera
encontrar máxima melhor que direcionasse o meu caminhar futuro.
Em
seu livro Os Contos chama-me atenção o fator registro de nossas
memórias. Imprescindíveis registros às memórias futuras.
A
partir desse momento, torno minhas suas palavras. Passo a perceber e dar
importância maior aos fatos cotidianos, que muitas vezes fortuitos foram ao meu
olhar. Volto-me aos registros das cenas presentes com mais assiduidade.
Tento, assim, resgatar o passado que,
gradativamente, vem falar de mim.
Percorrendo
locais de sua infância, a casa natal, por ele desenhada, busca levar o leitor a
um cenário bucólico. A aristocracia em que nascera, a qual lhe outorgara o
título de conde, já não lhe era mais permitida, posto perdas várias, mas o
registro é marcado por uma narrativa contagiante, que nos remete a uma época e
lugar não desconhecidos de nós – a velha Europa.
Quantos
de nós não percorremos vales e montanhas, rios e desertos áridos em algum
momento de nossas vidas. A diferença é que uns deixaram registros outros não.
Penso
até que Lampedusa estivesse num momento de pura amargura ao escrever as
palavras iniciais, com uma frase forte: “ao
encontrarmo-nos no declínio da vida”. Talvez até estivesse em sua fase
derradeira; entretanto, imagino sim que o declínio não fosse o término de sua
existência, posto que vem a falecer em 1957 e o livro talvez fora escrito muito
antes - quiçá.
Bem,
este é o leitor/bibliotecário. Quer adentrar as entrelinhas, os pensamentos do
próprio autor. Triste ou não, amargurado pelas adversidades, ou quem sabe, lega-nos
uma máxima de uma veracidade inigualável.
Também
imagino o quão benéfico seriam nossas memórias escritas, para que gerações
futuras, aquelas que não puderam nos ver, nos conhecer pessoalmente, pudessem
saber de nós através das linhas: “o
material acumulado... teria valor inestimável”.
E adoto a frase, com algumas ressalvas apenas, as
quais encabeçam muitos blogs que pudemos criar posteriormente à leitura.
"Ao
encontrarmo-nos no declínio da vida , é preciso procurar reunir a maior parte
das sensações que perpassaram esse nosso organismo. Poucos conseguirão
construir assim uma obra prima (Rousseau, Stendhall, Proust), mas todos
deveriam poder preservar, desse modo, algo que sem esse pequeno esforço
perderia-se para sempre. Manter um diário ou escrever, em certa idade, as
próprias memórias deveria ser obrigação “imposta pelo estado”: o material
acumulado após três ou quatro gerações teria valor inestimável. Resolveria
muitos problemas psicológicos e históricos que afligem a humanidade. Não existe
memória, embora escritas por personagens insignificantes, que não apresentem
valores sociais e pitorescos de primeira ordem”.(Tomasi
di Lampedusa - Os Contos)
A única mudança permitida é aquela sugerida pelo príncipe de Falconeri:tudo deve mudar para que tudo fique como está, frase amplamente divulgada em todo o mundo.
Tomasi, nascido em Palermo, era filho de Giulio Maria Tomasi, príncipe de Lampedusa, e Beatrice Mastrogiovanni Tasca de Cutò. Tornou-se o único rebento do casal após a morte (por difteria) de sua irmã. continue em....
Interessante a matéria quando estudos demonstram que o cérebro se transforma ante uma leitura. A livroterapia vem sendo desenvolvida em larga escala.
Percebe-se que o livro transforma o cotidiano. Ameniza tensões. Acalma. Tranquiliza. Transporta para horizontes além da realidade.
A POESIA faz com que construamos cenários dentro dos palcos do autor. Se "o poeta é fingidor", o fingir contos de fadas pode nos transformar sapos em príncipes. Vamos tentar? Vamos experimentar. ...
A matéria pode ser interessante. Assim, acompanhe em acompanhe em...
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comentários e postagem de Inajá Martins de Almeida
A escultura com 240 blocos de granito, cada um pesando aproximadamente 50 toneladas, com cinquenta metros de comprimento e dezesseis de altura, foi inaugurada em 1954, juntamente com o Parque do Ibirapuera para as comemorações do IV Centenário da cidade de São Paulo[2].
Vista lateral do Monumento às Bandeiras
Vista da parte de trás do Monumento às Bandeiras.
A obra representa os bandeirantes, expondo suas diversas etnias e o esforço para desbravar o país.
O escultor Victor Brecheret costumava dizer que o Monumento às Bandeiras, instalado na Praça Armando Salles de Oliveira, no Ibirapuera, era a obra de sua autoria com que mais se identificava. "Passei quase 30 anos de minha vida me dedicando a ela", afirmava o artista em entrevistas. A idéia da criação do monumento surgiu em 1921, logo após a Primeira Guerra Mundial.
Na época, o jovem e desconhecido escultor contou com o apoio dos modernistas Oswald de Andrade e Di Cavalcanti.
A obra só começaria a sair do papel em 1936. Até 1953 - quando foi finalmente inaugurada - a finalização do monumento esteve sujeita a situações peculiares das administrações que se sucederam no período. Armando Salles de Oliveira foi o primeiro a tomar providências para a produção da peça, reservando 2.900 contos de réis para a construção.
No entanto, uma semana depois de assinar o contrato com o artista, o político deixou o governo para candidatar-se à presidência da república. A partir de 1939, as obras praticamente pararam. Em 1945, o Estado fez um acordo com o então prefeito Prestes Maia: ele assumiria a responsabilidade pela construção em troca de alguns terrenos do governo.
O trabalho foi retomado no ano seguinte. Os 240 blocos de granito que formam a obra - com cerca de 50 toneladas cada - foram trazidos de uma pedreira em Mauá. Transportá-los nas estradas de terra foi uma operação difícil.
Símbolos
Finalmente, em 25 de janeiro de 1953 - durante as comemorações do 399º aniversário da cidade -, a obra foi inaugurada. Com 12 metros de altura, 50 de extensão e 15 de largura, representa uma expedição bandeirante subindo um plano, com dois homens a cavalo. Uma das imagens representa o chefe português e a outra, o guia índio.
Atrás deles, há um grupo formado por índios, negros, portugueses e mamelucos, que puxa a canoa das monções, usada pelos bandeirantes nas expedições pelos rios. As raças podem ser identificadas por detalhes nas estátuas: os portugueses apresentam barbas; as figuras nuas, com uma cruz ao pescoço são os índios catequisados.
A obra foi instalada no sentido de entrada dos bandeirantes pelo interior, no eixo sudeste-noroeste. Na frente do monumento, um mapa de Afonso Taunay, esculpido no granito, mostra o roteiro das expedições com os nomes de alguns bandeirantes famosos, entre eles Fernão Dias, Anhangüera, Borba Gato e Raposo Tavares.
Versos dos poetas Guilherme de Almeida e Cassiano Ricardo lembram as bandeiras em placas nas laterais da escultura.
Bernardo Soares é um tipo particular dentre os heterônimos do poeta e escritor portuguêsFernando Pessoa. É o autor do Livro do Desassossego, escrito em forma de fragmentos. Apesar de fragmentário, o livro é considerado uma das obras fundadoras da ficção portuguesa no século XX, ao encenar na linguagem categorias várias que vão desde o pragmatismo da condição humana até o absurdo da própria literatura... continue lendo
"Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como
sempre serei. E penso se a minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não encarna a
substância de milhares de vozes, a fome de dizerem-se de milhares de vidas, a paciência de
milhões de almas submissas como a minha ao destino quotidiano, ao sonho inútil, à esperança
sem vestígios. Nestes momentos meu coração pulsa mais alto por minha consciência dele. Vivo
mais porque vivo maior." continue lendo
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foto: Elvio Antunes de Arruda
frase de Bernardo Soares (Fernando Pessoa)
pesquisa, montagem e postagem de Inajá Martins de Almeida,
Em
junho de 2006, tive a oportunidade de participar de um encontro sobre
Literatura infanto-juvenil, na cidade de Ribeirão Preto.
Naquele momento, apontamentos puderam registrar minhas impressões ante falas e cenas.
Os anos transcorreram
agora os trago a este blog, quando após relê-los e efetuar pequenas alterações,
julgo ser interessante este registro. As protagonistas Eva Furnari, Angela
Lago, Roseana Murray e Heloisa Pires Lima representam a tônica central deste esboço.
As imagens foram capturadas da internet e montadas nesse painel, podendo ser visualizadas em tamanho maior, clicando-se sobre a mesma.
Vamos
adentrar ao universo mágico da literatura?
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1. EVA FURNARI Com o tema Cacoete: uma
reflexão sobre os tempos atuais, apresenta – segundo seu olhar de “artista criadora mais do que acadêmica e
teórica” como se auto qualifica – um apanhado de transformações porque
passaram os séculos, adentrando a nossa realidade atual. Por pensar com imagens,
seus livros são ricamente ilustrados mostrando as nuances dessas fases.
Logo no início de sua fala nos diz que “compreendia o mundo muito mais através do
olhar, das imagens, do que das palavras”,
o que adquirira antes mesmo de tomar conhecimento das letras.
Sua formação em arquitetura e a convivência
com um colega de escola, que ao querer namorá-la, ao invés de falar-lhe,
manda-lhe uma série de desenhos, desperta, assim, sua sensibilidade de artista,
um gosto que viria posteriormente a ser levado aos livros que passa a escrever.
Em meio às falas, passa-nos um conto chinês
sobre o pote vazio, também retratado no livro “A semente da verdade” de
Patrícia Engel Secco, momento em que exorta que devemos ensinar às crianças
valores éticos e morais; incutir-lhes o prazer da leitura, não como um fardo
para cumprir cronogramas pragmáticos.
Ao se referir ao tempo e sua crueldade, diz
que os valores hoje invertidos, “não nos permiti
mais envelhecer; temos de permanecer eternamente bem e belos, há uma busca pelo
corpo físico; não temos tempo de nos interiorizar, porém o estar bem é estar em
harmonia”.
O que ficou dessa fala é que devemos rever
certos valores impostos, mudar hábitos.
Deixou-nos então uma questão: - “Como me sinto hoje em relação ao passado?”.
Para
fechar o tema, a equipe Tantas Palavras apresentou o clip “Livros” de Caetano
Veloso, apresentação magistral, onde as cenas se passam dentro da Biblioteca
Nacional do Rio de Janeiro.
2- ANGELA LAGO Vem com a magia das histórias
que fazem sacudir o esqueleto, tema de um dos seus livros, ricamente ilustrado. Logo na sua primeira fala, deixa transparecer uma sensibilidade impar quando
diz “eu tenho a criança como mestre. Nas
crianças vou encontrar uma inspiração e uma possibilidade que não teria sem
elas”.
Incrível percepção visual e como a coloca
em suas obras, ao expressar que o narrador visual, seja criança ou não, enquanto
leitor, ao entrar no livro modifica sua história, daí o interessante de se “estar construindo uma ideia do leitor
co-autor quando fala do leitor narrador”, uma vez que “nunca vamos narrar uma história de uma única forma”.
Aponta o tempo da narrativa porque “não existe história sem tempo. O tempo é o
grande herói da nossa história”.
Quando fala em mensagens metafóricas, diz
que “as crianças são capazes de
desmistificar uma metáfora visual, porque uma metáfora traz sempre uma
informação que modifica o resto da imagem”.
Apresenta um dos seus livros “A raça
perfeita”, onde coloca a mutação genética porque passam os animais e dá um
grito de alerta para as gerações futuras.
Outro aspecto de destaque, no momento em
que disse que não devemos subestimar a paciência do leitor; quando vamos
contar-lhe ou narrar-lhe algo, jamais devemos nos prolongar nas chamadas, assim
se expressando: “e caminhavam... e caminhavam... e caminhavam...............”.
Um clip de Elis Regina fecha com chave de
ouro a apresentação da escritora. O prof.Arquilau Moreira Romão, organizador do
evento, no afã da apresentação exorta a frase de Cecília Meireles em que esta
diz “que a vida só é possível se
reinventada”, introduzindo a próxima apresentação.
Valendo-se de Cecília Meireles, inicia sua
fala – “não sou alegre nem triste; sou
poeta”. Isso para mostrar seu lado “pessimista” de ver a vida. Interessante
uma de suas observações quando diz que a sociedade atual nos cobra uma
felicidade em tempo integral. “Temos de
ser felizes vinte e quatro horas por dia, quando isso é impossível”.
Por sua descendência judaica, explica seu
lado mais real das coisas. Envolvida em projetos de leitura diz que “a literatura é generosa para abrir a porta
que vai desaguar no outro e se uma pessoa sabe ler um texto literário, esta
sabe ler qualquer texto que existe”.
Vai mais além ao afirmar que “a leitura não pode ser apenas um evento, mas
tem de ser um tempo de construção: pouco a pouco”.
Sua experiência de trabalhar com a leitura
em escolas municipais, onde o fluxo de crianças carentes é muito grande, isto
na pequena cidade de Saquarema, onde reside atualmente, a fez enxergar que “quando se faz um trabalho contínuo de
leitura, nós vamos vendo cada vez mais”.
Com relação à sociedade de consumo a que
estamos expostos atualmente, onde livros, revistas, toda sorte de informação
nos são impostas diariamente – temos de ser informados, temos de conhecer tudo,
temos de perceber e discernir entre o que é de real importância, e o que não
deve ser levado em consideração – faz um alerta ao expressar que “temos
de ser um grande leitor para saber o que importa de verdade, porque estamos
numa sociedade de consumo. Quando somos um bom leitor, conseguimos olhar a teia
de aranha e não pular dentro dela”.
Referindo-se então a fala da Eva Furnari,
onde a sociedade nos impõe um não envelhecimento, diz que temos de tomar
cuidado para envelhecermos com dignidade e isso é possível, enquanto que “como leitores, temos a capacidade de
resistir a toda esta sociedade que nos engana, uma vez que a verdadeira
felicidade é invisível e é ela que alimenta nossa alma”.
Seu prazer e seu envolvimento com projetos
de leitura é gritante; extravasa por todo seu corpo, pela sua voz, pelo seu
semblante quando nos exorta que a “leitura
é um espaço de liberdade” e que “temos
de compartilhar um texto” além do mais um livro sempre quer nos falar
alguma coisa e para tanto “para ouvir o
livro, temos de fazer um silêncio interno”.
Como tantas pessoas envolvidas com leitura
e preocupadas com as gerações futuras, não deixa de falar que “hoje o importante é um ser criativo que
saiba ler e entender”.
Para concluir sua fala, apresenta-nos um
conto seu e fala da dificuldade em se expressar em outras formas literárias que
não a poesia. Gosta de frases curtas, ritmadas, porém, em alguns momentos se
expressa através de contos.
Aí nos premia com um deles, extraído do seu
livro “Território dos sonhos”, onde numa autobiografia nos faz um relato de uma
criança introvertida que se torna anjo de um tio carente que acabara de perder
a mulher e a filha recém-nascida.
O silêncio se faz total; as emoções bailam
no espaço em meio à fala mansa da autora. Momento de verdadeiro devaneio
literário. Deixa-nos então uma questão no ar para reflexionarmos:
- “E vocês... de quem vocês são anjos?”
A equipe Tantas Palavras, abre a fala da
escritora com o clip Pensamento do grupo Raça Negra e fecha com Gilberto Gil e
a composição A paz. (Enquanto preparava os apontamentos para postagem, eis que uma luz verde me chama atenção: é Roseana que se encontra on-line. É a tecnologia compactuando a nosso favor. Breve conversa. Momento de reencontro saudoso. Eu apenas uma participante dentre tantas outras naquele evento. Ela uma referência a tantos quantos me ouvem ou me leem, quando então me premia com a frase: "...quando se é um bom leitor, percebe-se a teia da aranha, porém não cai dentro dela..." Bom rever este texto. Bom relembrar as cenas. O envolvimento naquele instante. É a literatura que irmana. Aproxima. Torna partícipes os participantes. Obrigada amiga escritora. Escritora amiga).
4. HELOISA PIRES LIMA Apresenta seu livro a semente que veio da África: educando com equidade”, lenda
sobre o baobá da África, porém o que a autora realmente quis nos dizer é que há
uma “falta de equidade entre o repertório
que apresentamos para nosso leitor”.
Por ser de
descendência negra, encontrou essa dificuldade, quando seu filho lhe cobrava
livros e leituras em que o negro não fosse apenas apresentado como escravo,
sendo humilhado nas senzalas, nos troncos, etc.
Em meio a suas
falas, faz-nos uma reflexão sobre o tema e nos exorta a pensar em quais
circunstâncias os negros e os índios são apresentados nas diversas literaturas.
Daí uma
realidade agressiva, gritante que a literatura nos impôs e nos deixou uma
questão na qual devemos “pensar na
biblioteca que apresentamos para nossos filhos, nossos alunos, nossos
educadores”.
Outro questionamento interessante, é
quando instiga a platéia a fechar os olhos,
voltar a infância e juventude e
rememorar os livros inesquecíveis. Dentre um e outro, ao final, deixou-nos uma
questão, propondo-nos a nos imaginar naquele personagem, naquela história que
nos ficou na lembrança e o que havia de comum nas situações vividas a partir de
então. Por ser psicopedagoga conseguiu adentrar no inconsciente coletivo.
De minha parte, num breve momento,
numa reflexão rápida, consegui perceber que ao tornar inesquecível um
personagem criado por um autor, por mim lido em minha adolescência, muito do
que meu inconsciente absorveu dali, em outro momento foi transformado em
realidade e já não era mais a leitora e sim a co-autora: o personagem
incorporara em mim. Aqueles já não eram mais os personagens de ficção, mas eram
a minha própria vida.
Jamais pudera supor, num encontro
literário, encontrasse uma análise dessa monta. Isso inclusive expus para a
autora e disse-lhe que tomaria como exemplo para estar passando a outras
pessoas.
Algumas observações extras : Para a antropóloga e escritora Heloisa Pires Lima, ao longo do século 20, as representações dos negros nos livros infanto-juvenis brasileiros foram muito limitadas, refletindo - e, às vezes, denunciando - as condições dessas pessoas na sociedade. "Na literatura, os papéis reservados aos negros eram de personagens escravizados, folclóricos ou submetidos a situações de exploração e miséria, como as empregadas domésticas e os meninos de rua". continue em O baobá também é conhecido como a árvore da sabedoria, pois quando você senta debaixo de um baobá, você faz um elo com o Criador e clareia suas ideias... continue em
(Infelizmente não encontrei postagens no you tube)
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Este é o mundo mágico da leitura, ao
ponto de proporcionar descobertas, encontros conosco mesmo, quem sabe até desencontros.
Esse nosso amor, essa paixão, esse
gosto infinito que salta nosso ser, temos de passar para outros.
Esse é um legado que jamais nos será
roubado, ele é nosso.
Foi
realmente um sábado rico em aprendizado. Um momento muito proveitoso.
Apontamentos, comentários, pesquisas extras e postagens de Inajá Martins de Almeida