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"Entre livros nasci. Entre livros me criei. Entre livros me formei. Entre livros me tornei. Enquanto lia o livro, lia-me, a mim, o livro. Hoje não há como separar: o livro sou eu - Bibliotecária por opção, paixão e convicção".

Lemos porque a necessidade de desvendar e questionar o desconhecido é muito forte em nós”

"O universo literário é sempre uma caixinha de surpresas, em que o leitor aos poucos vai recolhendo retalhos. Livros, textos, frases, poemas, enfim, variadas formas de expressão que vão compondo a colcha de retalhos de uma vida entre livros. É o que se propõe".

Inajá Martins de Almeida

assim...

"Quem me dera fossem minhas palavras escritas. Que fossem gravadas num livro, com pena de ferro e com chumbo. Para sempre fossem esculpidas na rocha! (Jó 19:23/24)

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“Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância.”

Fernando Pessoa - Poeta e escritor português (1888 - 1935)

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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

MONTEIRO LOBATO: o editor do Brasil - Cassiano Nunes

Amo Monteiro Lobato. Com ele nos aventurávamos em seu Sítio, juntamente com seus personagens: primeiro através das páginas dos livros, depois nas telas em preto e branco e a cores, com o passar, embora já adultos, ele continuava fascinando, com suas histórias instigantes. Emília símbolo da  irreverência e rebeldia. Que bom que ele estivesse farto da escrita para marmanjos: 

"Ando com idéias de entrar para esse caminho: livros para crianças. De escrever para marmanjos já me enjoei. Bichos sem graça! Mas, para crianças, um livro é todo um mundo... Tenho em composição um livro absolutamente original - Reinações de Narizinho -... Estou gostando tanto, que brigarei com quem não gostar. Estupendo Rangel! E os novos livros que tenho na cabeça são ainda mais originais. Vou fazer um verdadeiro rocambole infantil, coisa que não acaba mais". 

Em outro trecho fala de descaso por aqueles que serão o futuro desta nação: 

"Uma coisa sempre me horrorizou: foi ver o descaso brasileiro pela criança, isto é, por si mesmo, visto como a criança não passa de nossa projeção para o futuro...". 

Seus textos são atualíssimos, tanto que:

"Fala-se em Pátria, hoje mais do que nunca. Jamais o dispêndio de hinos, versos, conferências, artigos, livros, boletine e discuros foi maior. Mas, no fundo de tudo isso, está a retórica vã, a mentira, a ignorância das verdadeiras necessidades do país. Programa patriótico, e mais que patriótico, humano, só há um: sanear o Brasil"

Eram cartas trocadas nas primeiras décadas do século XX, mas que nos parecem muito familiares aos descasos que ainda vemos em nossos dias. Seus questionamentos, seus alertas quanto a educação ideal leva-o a conclusão de que:

 "... antes de reformarem qualquer coisa ou proporem reformas, os mais adiantados e ilustres líderes educacionais do momento o que devem fazer é reformarem-se a si próprios, isto é aposentarem-se e saírem do caminho" (págs 53/54). "Ah! parece que se chega afinal ao começo... 436 anos para se chegar ao princípio, 436 anos de pré-história... " 

É o desabafa Anísio Teixeira à Lobato, nas correspondências trocadas e registradas nas cinquenta e cinco páginas deste livro, profundo estudo em que Cassiano Nunes, poeta, teatrólogo e ensaísta, considerado por Mariza Lajolo "o nosso maior lobatólogo", a nós disponibiliza. 

Posso concluir também minha indignação pelo desrespeito a natureza, as crianças, aos velhos, a educação - enfim a nós como brasileiros, mas também me consolo, quando leio e transcrevo o que nos fala o autor no referido livro 

"essas palavras de velhas cartas, afortunadamente conservados, plenas de sonho, paixão e indiganação, nos revelam que não estão sós aqueles que, no Brasil, se acham determinados a criar uma pátria melhor, em que a educação substitua o primitivismo e o atraso..." . 


É gratificante pensarmos num Lobato que é nosso; que segundo Godofredo Rangel:

"sabia dizer as coisas próprias de um modo próprio, encarando a vida e as coisas de um modo pessoal".

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Nunes, Cassiano.   Monteiro Lobato: o editor do Brasil   / Cassiano Nunes.  -  Rio de Janeiro: Contraponto: Petrobras, 2000.  56 p.


2 comentários:

Aline Negosseki disse...

Adorei essa postagem.
Como ex-aluna de Pedagogia, muito ouvi falar do Anísio, como etrena persiguidora da infância, desde muito cedo amo as letras de Monteiro Lobato.

E o descaso com a educação persiste. Eu vi... =(
Depois dizem que o Brasil é um país de todos...

marcele disse...

Amo as letras, tenho diversos poemas e histórias... contudo a dificuldade de publicá-los me limita a guardá-los num cantinho do meu quarto!!!!!