Inajá Martins de Almeida - Bibliotecária/Documentalista/Escritora
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Estamos permanentemente disponíveis, sempre no
posto de trabalho”
Zygmunt Bauman – 1925-2017
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Um dos maiores pensadores do século XX, Zygmunt Bauman (1925-2017),
sociólogo e filósofo polonês, alertava-nos para uma “Modernidade Líquida”, em
que tudo era imediatismo e fluídico. Nada era para sempre: relações sociais,
familiares.
Realmente estamos presenciando essa realidade em dias atuais: a correria
desenfreada, o celular a se comportar indispensável, permanentemente às mãos,
olhares fixos a percorrerem telas, respostas breves, leituras fracionadas,
acúmulo de informação que logo se dilui ante a próxima tela. O tempo pessoal,
encontros familiares, roda de amigos, a cederem lugar ao virtual – conversas
monossilábicas, figurinhas, dedinhos, tornaram a gramática dispensável.
Percebe-se, então, que o sagrado horário de trabalho, extrapolou o tempo
real, capturou o sentir profissional, privou o social e familiar, quantas
vezes. Em contrapartida, a tecnologia, a qual facultou facilidades,
democratizou a informação, derrubou barreiras, gerou pontes de oportunidades, encurtou
fronteiras, aproximou nações, povos e línguas, distanciou afetos, privou diálogos,
fez com que o tempo pessoal se enredasse no tempo e espaço. A cultura do não
ter tempo, estar sempre ocupado e ocupando-se com algo, tornou-se a tônica para
um distanciar, ante o imediatismo líquido.
O pós Grande Guerra Mundial, que proporcionou avanço inimaginável em
todas as áreas do conhecimento humano, consigo permitiu adentrar uma modernidade
líquida, a qual segue galopante entre o virtual e o real. Milênios, séculos,
décadas, anos, meses e dias, que os percebíamos morosos entre afazeres, em dias
atuais, tornaram-se breves, fluídicos, a escaparem do nosso controle.
A própria informação cíclica, que a entendemos desde a oralidade, a escrita,
a percorrer tempo e espaço, degrau por degrau, numa contagem numérica, alcançar
a invenção do papel e a imprensa, a qual já se mostrava promissora para um
futuro que ainda não se podia prever “- livros, livros à mão cheia que fazem o
povo pensar” - passa a galgar patamares
geométricos, domina o conhecimento, que se fraciona cada vez mais, limita áreas
de atuação. Informação e conhecimento se rendem ao avanço tecnológico, numa
sociedade cada vez mais fluídica, numa era em que inteligência se torna cada
vez mais artificial.
Mas... tempos modernos nos convidam a participar das inovações e, a
elas, muitos de nós correspondem, pois que o tempo não para e, ante aos avanços
tecnológicos nossos anseios se rendem.
Porém, a questão é:
- Será que estamos sempre disponíveis para o trabalho e indisponíveis à convivências,
telefonemas, abraços apertados, visitas esperadas e aguardadas?
- Será que não é possível colocar limites ao nosso horário profissional em
detrimento ao pessoal?
- Seria mesmo possível nosso tempo pessoal desaparecer, ou apenas um
subterfúgio numa modernidade cada vez mais fluídica, imediatista?
- Seria esse tempo moderno tão fluídico assim, ao ponto de nos amoldar
em horas intermináveis de trabalho, quando há leis que o regem?
Bom... Imagino caso a ser pensado. Bauman partiu, mas deixou-nos legado
de sua vasta existência para que não perdêssemos “a arte das relações sociais e
da amizade”.
A mim, não compete elencar um tratado, apenas levantar ponto de vista
pessoal, decorrente de leituras e anotações em diários. A cada um de nós,
contudo, a reticência ante reflexões.
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https://heyzine.com/flip-book/4231bde5c1.html - acesse
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Inajá Martins de Almeida
Formada em Biblioteconomia e Documentação e
Biblioterapia, partícipe das antologias: Ponto & Vírgula edição nº 13 -
2018 e da VII edição da CPERP - 2026; organizadora e coautora do Álbum das
Bandas de Araras – documentário histórico. Criadora e mantenedora de blogs;
nelsonmartinsdealmeida.blogspot.com; blog-inaja.blogspot.com;
oatodeler.blogspot.com; encontrosdepalavras.blogspot.com – dentre outros
Participou de projetos ousados de criação de
bibliotecas, durante feiras do livro em Ribeirão Preto – 2001/2009, além de
atuar em bibliotecas, empresariais, públicas e universitárias.
Contato: inaja2010@gmail.com
Rede social: @inaja.martinsdealmeida
Facebook: inajamartinsdealmeida
xx

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