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"Entre livros nasci. Entre livros me criei. Entre livros me formei. Entre livros me tornei. Enquanto lia o livro, lia-me, a mim, o livro. Hoje não há como separar: o livro sou eu - Bibliotecária por opção, paixão e convicção".

Lemos porque a necessidade de desvendar e questionar o desconhecido é muito forte em nós”

"O universo literário é sempre uma caixinha de surpresas, em que o leitor aos poucos vai recolhendo retalhos. Livros, textos, frases, poemas, enfim, variadas formas de expressão que vão compondo a colcha de retalhos de uma vida entre livros. É o que se propõe".

Inajá Martins de Almeida

assim...

"Quem me dera fossem minhas palavras escritas. Que fossem gravadas num livro, com pena de ferro e com chumbo. Para sempre fossem esculpidas na rocha! (Jó 19:23/24)

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“Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância.”

Fernando Pessoa - Poeta e escritor português (1888 - 1935)

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terça-feira, 6 de outubro de 2026

MODERNIDADE LÍQUIDA


Inajá Martins de Almeida - Bibliotecária/Documentalista/Escritora

 

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 “O velho limite sagrado entre o horário de trabalho e o tempo pessoal desapareceu.

Estamos permanentemente disponíveis, sempre no posto de trabalho”

Zygmunt Bauman – 1925-2017

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Um dos maiores pensadores do século XX, Zygmunt Bauman (1925-2017), sociólogo e filósofo polonês, alertava-nos para uma “Modernidade Líquida”, em que tudo era imediatismo e fluídico. Nada era para sempre: relações sociais, familiares.

Realmente estamos presenciando essa realidade em dias atuais: a correria desenfreada, o celular a se comportar indispensável, permanentemente às mãos, olhares fixos a percorrerem telas, respostas breves, leituras fracionadas, acúmulo de informação que logo se dilui ante a próxima tela. O tempo pessoal, encontros familiares, roda de amigos, a cederem lugar ao virtual – conversas monossilábicas, figurinhas, dedinhos, tornaram a gramática dispensável.

Percebe-se, então, que o sagrado horário de trabalho, extrapolou o tempo real, capturou o sentir profissional, privou o social e familiar, quantas vezes. Em contrapartida, a tecnologia, a qual facultou facilidades, democratizou a informação, derrubou barreiras, gerou pontes de oportunidades, encurtou fronteiras, aproximou nações, povos e línguas, distanciou afetos, privou diálogos, fez com que o tempo pessoal se enredasse no tempo e espaço. A cultura do não ter tempo, estar sempre ocupado e ocupando-se com algo, tornou-se a tônica para um distanciar, ante o imediatismo líquido.

O pós Grande Guerra Mundial, que proporcionou avanço inimaginável em todas as áreas do conhecimento humano, consigo permitiu adentrar uma modernidade líquida, a qual segue galopante entre o virtual e o real. Milênios, séculos, décadas, anos, meses e dias, que os percebíamos morosos entre afazeres, em dias atuais, tornaram-se breves, fluídicos, a escaparem do nosso controle.

A própria informação cíclica, que a entendemos desde a oralidade, a escrita, a percorrer tempo e espaço, degrau por degrau, numa contagem numérica, alcançar a invenção do papel e a imprensa, a qual já se mostrava promissora para um futuro que ainda não se podia prever “- livros, livros à mão cheia que fazem o povo pensar” -  passa a galgar patamares geométricos, domina o conhecimento, que se fraciona cada vez mais, limita áreas de atuação. Informação e conhecimento se rendem ao avanço tecnológico, numa sociedade cada vez mais fluídica, numa era em que inteligência se torna cada vez mais artificial.

Mas... tempos modernos nos convidam a participar das inovações e, a elas, muitos de nós correspondem, pois que o tempo não para e, ante aos avanços tecnológicos nossos anseios se rendem.

Porém, a questão é:

- Será que estamos sempre disponíveis para o trabalho e indisponíveis à convivências, telefonemas, abraços apertados, visitas esperadas e aguardadas?

- Será que não é possível colocar limites ao nosso horário profissional em detrimento ao pessoal?

- Seria mesmo possível nosso tempo pessoal desaparecer, ou apenas um subterfúgio numa modernidade cada vez mais fluídica, imediatista? 

- Seria esse tempo moderno tão fluídico assim, ao ponto de nos amoldar em horas intermináveis de trabalho, quando há leis que o regem?

Bom... Imagino caso a ser pensado. Bauman partiu, mas deixou-nos legado de sua vasta existência para que não perdêssemos “a arte das relações sociais e da amizade”.

A mim, não compete elencar um tratado, apenas levantar ponto de vista pessoal, decorrente de leituras e anotações em diários. A cada um de nós, contudo, a reticência ante reflexões.

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https://heyzine.com/flip-book/4231bde5c1.html - acesse




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 Inajá Martins de Almeida

Formada em Biblioteconomia e Documentação e Biblioterapia, partícipe das antologias: Ponto & Vírgula edição nº 13 - 2018 e da VII edição da CPERP - 2026; organizadora e coautora do Álbum das Bandas de Araras – documentário histórico. Criadora e mantenedora de blogs; nelsonmartinsdealmeida.blogspot.com; blog-inaja.blogspot.com; oatodeler.blogspot.com; encontrosdepalavras.blogspot.com – dentre outros   

Participou de projetos ousados de criação de bibliotecas, durante feiras do livro em Ribeirão Preto – 2001/2009, além de atuar em bibliotecas, empresariais, públicas e universitárias.

 

Contato: inaja2010@gmail.com

Rede social: @inaja.martinsdealmeida

Facebook: inajamartinsdealmeida 



 


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