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"Entre livros nasci. Entre livros me criei. Entre livros me formei. Entre livros me tornei. Enquanto lia o livro, lia-me, a mim, o livro. Hoje não há como separar: o livro sou eu - Bibliotecária por opção, paixão e convicção".

Lemos porque a necessidade de desvendar e questionar o desconhecido é muito forte em nós”

"O universo literário é sempre uma caixinha de surpresas, em que o leitor aos poucos vai recolhendo retalhos. Livros, textos, frases, poemas, enfim, variadas formas de expressão que vão compondo a colcha de retalhos de uma vida entre livros. É o que se propõe".

Inajá Martins de Almeida

assim...

"Quem me dera fossem minhas palavras escritas. Que fossem gravadas num livro, com pena de ferro e com chumbo. Para sempre fossem esculpidas na rocha! (Jó 19:23/24)

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“Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância.”

Fernando Pessoa - Poeta e escritor português (1888 - 1935)

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sexta-feira, 2 de março de 2012

SEGREDOS DOS GRANDES ESCRITORES

Belíssimo estudo nos premia o estudioso Jefferson Magno Costa, quando aponta valiosíssimos segredos sobre a arte de escrever. Subtraí alguns parágrafos, mas a leitura completa do texto é envolvente, quanto mais enriquecedora para os que se lançam ao ofício. Compartilho esses momentos com meus leitores [Inajá Martins de Almeida]
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1º SEGREDO: Antes de verem o primeiro de seus livros publicado, os escritores que obtiveram mais sucesso, exerceram maior influência e marcaram para sempre a história da literatura, tornaram-se grandes conhecedores da língua que usaram.
“Conhecer a língua portuguesa não é privilégio de gramáticos, senão de todo brasileiro que preza sua nacionalidade”... [Napoleão Mendes de Almeida – Gramática Metódica]
Escrever bem requer algo mais do que sólidos conhecimentos linguísticos. Requer sensibilidade, imaginação e um toque pessoal de arte (também conhecido como originalidade). Em uma palavra: talento...   O estudo da gramática não faz escritor, faz filólogo. Só os grandes escritores são capazes de nos ensinar a escrever bem...
Floresça, fale, cante, ouça-se e viva 
A portuguesa língua, e já onde for, 
Senhora vá de si, soberba e altiva; ... [Antonio Ferreira, poeta português (1528-1569) ]

Última flor do Lácio, inculta e bela, 
És, a um tempo, esplendor e sepultura; ... [Olavo Bilac]
...
Não morrerá sem poetas nem soldados 
A língua em que cantaste rudemente 
As armas e o barões assinalados. [Manoel Bandeira homenageando Camões)

Nós, repito, que temos um lastro, uma herança tão rica e tão bela composta de obras literárias que vêm sendo escritas por exímios artistas da palavra, estamos hoje, em muitos aspectos, em uma situação de vergonhoso desconhecimento das riquezas do nosso idioma... 
2º SEGREDO: Os grandes escritores jamais se contentam com a primeira redação dos textos que escrevem. Eles os reescrevem e reescrevem. ... os grandes escritores escreveram muito para eles mesmos, antes de escrever para os outros... É do hábito de sentar-se todos os dias diante de uma folha de papel em branco ou de um teclado de computador, que o nasce livro...
Lutar com palavras 
É a luta mais vã. 
Entanto lutamos 
Mal rompe a manhã... [O lutador – Carlos Drummond de Andrade] 


... “somente as obras bem escritas passam à posteridade, visto que as novas descobertas e os fatos novos fazem com que os livros mais científicos se tornem obsoletos, ultrapassados.” [Discurso sobre o Estilo – Conde de Buffon]    


... um livro, antes de ser publicado, tem de ser revisado, polido, aperfeiçoado, com paciência e cuidado, durante meses, ou até durante anos...leia o texto em sua íntegra 
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Os leitores encontrarão outras referências ao tema acessando os links :


quarta-feira, 23 de março de 2011

SEGREDOS DE QUEM É ESCRITOR

Jefferson Magno Costa
1º SEGREDO: Antes de verem o primeiro de seus livros publicado, os escritores que obtiveram mais sucesso, exerceram maior influência e marcaram para sempre a história da literatura, tornaram-se grandes conhecedores da língua que usaram...

2º SEGREDO: Os grandes escritores jamais se contentam com a primeira redação dos textos que escrevem. Eles os reescrevem e reescrevem...
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Belíssima explanação. A facilidade com que o autor transita de um texto a outro demonstra seu caminhar diário com grandes mestres da literatura; sua afinidade em compactuar a leitura aos leitores irmana-se a outros que, quantas vezes, sentem-se solitários em seu universo literário, mas que, incansáveis, almejam a proximidade dos afins das palavras e das letras.
A internet em muito vem favorecendo esses encontros riquíssimos. A despeito de grandes mestres, também encontro Eclesiastes, degustando palavra por palavra e fico a pensar o tempo que o “sábio” dispensava a cada uma, quando se colocava a meditar e estudá-las para levar conhecimento ao povo, buscando encontrar “palavras agradáveis” para que seus discursos fossem coroados de verdades e acertos.

Fico a cismar sobre o cuidado e zelo que o autor dispensava aos leitores, numa época em que, julgo, não serem tantos, porém, ele já manifestava sua sensibilidade em tornar públicas suas máximas, sabedor que era de que “as palavras dos sábios são como aguilhões e como pregos bem fixados são as palavras coligidas dos mestres” e, se há enfado por tanto estudar, também haverá momento em que o entendimento se tornará ferramenta ágil e perpétua para os que o buscam e livros poderão ser escritos, pois não há limites para se fazê-los.
Este fora o comentário postado no blog quando da leitura da matéria, o qual valeu a resposta que calou fundo esta que escreve:

Prezada Inajá Martins, observando seu interesse recorrente por nossos artigos relativos à arte de escrever e à literatura, vejo que em breve teremos uma grande autora (de livros, pois de artigos você já é) despontando no cenário editorial evangélico brasileiro. Desde já, deixo-lhe aqui minha saudação: Seja bem-vinda! Jefferson Magno Costa

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O PEREGRINO - John Bunyan


Em mãos O PEREGRINO. Há tempo passava-me sua leitura, porém, outras eram colocadas em seu lugar.



Quem sabe pela longa espera, demoro-me a apreciá-lo. Faço então um breve contato físico. Toco o livro todo; sinto a tessitura do papel, a cor, o formato; aprecio a capa, o nome do autor em tipo itálico, a imagem central, pequena, em tons fortes, obra prima de Edward  Harrison May (1824-1887) - Christian at the Cross - contrastando com a marca d'água e a cor discreta da capa e contra-capa.


O título nos dá a perceber que somos peregrinos em busca de nossa mansão espiritual – nossa verdadeira morada. 


A leitura técnica é feita observando cada detalhe: orelhas, página de rosto, ficha catalográfica, dados gráficos, o sumário, o prefácio... 


Degusto uma a uma as palavras  de seu prefaciador e tradutor Eduardo Pereira e Ferreira e detenho-me numa palavra "transcriação" e maravilho-me, quando se faz porta voz do autor que nos convida a leitura de "seu livro com a cabeça e o coração"  e, como objetivo, oferece uma transcriação da apologia do autor.


Absorvo e abstraio alguns versos e me prostro ante a  destreza da escrita que, num  período  conturbado, de prisões, lutas interiores, questionamentos vários, o autor em cárcere (1675) se vê a tecer, em parelhas ritmadas,  as estrofes de sua composição poética:



Quando no início, peguei da pena

A escrever, mal imaginava a cena,

Que fora compor assim um livrete.

Não, pensava em outro motete,

Mas, já quase concluído – por quê, não sei,

Sem me dar conta, a este me atirei.

...

O livro em que me debruço a escrever.

E assim fiz, sem ter ainda ideia distinta

De assim exibi-lo a todos, papel e tinta.

Só pensava em fazer nem sei quê;

Nem me esforcei, portanto, não vê?

Por agradar ao próximo, não,

Pois o fiz para mim mesmo, adulão.

...

Assim, pena ao papel, com prazer tanto,

Logo vazei as ideias em preto e branco.

Pois sabendo já o método, todo aceso,

Arranquei e tudo me veio; e, teso,

Escrevi até afinal vir a obra ao lume

Essa grandeza de doce, fino perfume. 

...

Brotam do mesmo livro os raios de luz e o brilho

Que transforma mesmo a noite mais escura em idílio?

...

E agora, antes ainda de largar minha pena,

Mostrarei o valor do meu livro nessa arena.

...

Este livro perante teus olhos traceja

O homem que ao prêmio perene almeja;

...

Este livro de ti fará verdadeiro viajante.

E se por ele te deixares guiar adiante,

Até a Terra Santa te levará, nas monções,

Desde que compreendas as suas orientações.

...

Em palavras tais está este livro escrito,

Que até aos lânguidos desperta o grito.

...

Queres tu mesmo ler, sem sequer saber o quê,

Sabendo, porém, por essas linhas mesmas que lês,

Se estás ou não abençoado? Ah, vem então,

E abre meu livro, uma só mente, um só coração”.

...

John Bunyan (1628-1688)


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E permaneço extasiada, olhos fixos, mente arguta a sorver as palavras e a pensar em seu autor, vivendo numa época em que as perseguições a ideias contrárias ao estabelecido da época eram levadas as condições extrema. 


Este, então,  inicia seu relato no cárcere em 1675. Em 1678 a obra é lançada em Londres.

  


Assim, decorridos 333 anos de sua primeira edição (1678-2011), cá estou eu a ler esta que se tornou uma das obras mais vendidas em todo o mundo.


À mente me vem Jeremias 33:3 quando :


“Invoca-me, e eu te responderei, e te direi coisas grandes e ocultas que tu não sabes...”


Creio que muito ainda terei a escrever no decorrer desta leitura. Coisas ocultas me serão reveladas. Acompanhe-me caro leitor.

    


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comentários e transcrições de Inajá Martins de Almeida

(*) Jefferson Magno Costa - texto referenciado 

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Bunyan, John.   O peregrino.   /  John Bunyan.  Tradução Eduardo Pereira e Ferreira. – São Paulo: Mundo Cristão, 2006.