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"Entre livros nasci. Entre livros me criei. Entre livros me formei. Entre livros me tornei. Enquanto lia o livro, lia-me, a mim, o livro. Hoje não há como separar: o livro sou eu - Bibliotecária por opção, paixão e convicção".

Lemos porque a necessidade de desvendar e questionar o desconhecido é muito forte em nós”

"O universo literário é sempre uma caixinha de surpresas, em que o leitor aos poucos vai recolhendo retalhos. Livros, textos, frases, poemas, enfim, variadas formas de expressão que vão compondo a colcha de retalhos de uma vida entre livros. É o que se propõe".

Inajá Martins de Almeida

assim...

"Quem me dera fossem minhas palavras escritas. Que fossem gravadas num livro, com pena de ferro e com chumbo. Para sempre fossem esculpidas na rocha! (Jó 19:23/24)

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“Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância.”

Fernando Pessoa - Poeta e escritor português (1888 - 1935)

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sábado, 19 de março de 2011

HINO NACIONAL BRASILEIRO - controvérsias autoria




Até tu, Francisco?

E essa agora: estudiosos sérios suspeitam 

que o Hino Nacional é um caso de plágio

Celso Masson

 Compare aqui a semelhança entre o Hino
Nacional e a melodia de Nunes Garcia

O padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830) é uma das glórias da música erudita brasileira. Compositor de mais de 500 peças, foi mestre da Capela Real do Rio de Janeiro, posto mais alto a que podia chegar um músico em seu tempo. Conquistou-o graças ao talento, vencendo o preconceito. Era mulato, neto de uma escrava. Foi também teórico e regente. Conduziu a primeira apresentação do Requiem de Mozart nas Américas, em 1819, com tal maestria que sua performance repercutiu até na Áustria, terra natal do compositor. Francisco Manuel da Silva (1795-1865) era um aluno aplicado do padre José Maurício. Sonhava em ser grande como seu professor. Faltava-lhe, no entanto, a centelha do talento. Seus estudos pareciam servir-lhe apenas para perceber, com clareza cada vez maior, como o mestre era genial, mais ou menos como acontecia com Salieri em relação a Mozart. A posteridade foi injusta com os dois compositores. No século XX, estudiosos de música elevaram José Maurício Nunes Garcia à santíssima trindade da música erudita brasileira, ao lado de Carlos Gomes e Villa-Lobos. Já nas partituras de Francisco Manuel da Silva nada de muito interessante foi encontrado pelos especialistas. O aluno, no entanto, alcançou uma glória negada ao professor: ter uma música de seu opaco catálogo na ponta da língua de milhões de brasileiros. Sim, porque Francisco Manuel da Silva é o autor do Hino Nacional.

A história, no entanto, não acaba aí. Vários musicólogos brasileiros se debruçam, hoje em dia, sobre uma hipótese cada vez mais plausível: a de que o Hino Nacional, única faísca de brilho na fosca obra de Francisco Manuel da Silva, é, na verdade, cópia de um tema do padre José Maurício Nunes Garcia. A suspeita ganhou corpo em Juiz de Fora, em 1995. Durante o festival de música colonial da cidade, o mais importante do país na área do barroco, o maestro carioca Sérgio Dias executou, com orquestra e coro, um ofício religioso de autoria do padre José Maurício, Matinas de Nossa Senhora da Conceição. A platéia, composta em sua maioria de especialistas, ficou estarrecida. Havia um trecho incrivelmente semelhante ao Hino Nacional. De lá para cá, vários estudiosos começaram a estudar o assunto e os primeiros resultados estão saindo agora. Segundo os musicólogos, é perfeitamente plausível, cronologicamente, que Francisco Manuel da Silva se tenha baseado no tema para compor o hino. Os leitores de VEJA poderão comparar os trechos aqui no site de VEJA, tendo como base uma gravação ao vivo feita no próprio festival de Juiz de Fora.



Esclerose e ironia – Há várias versões sobre a origem do Hino Nacional. A primeira música criada com essa finalidade foi escrita pelo próprio imperador dom Pedro I, à época da emancipação do país, em 1822, e sobrevive com o título de Hino da Independência.O estudioso Aldo Pereira, autor do livro O Hino Nacional Brasileiro, defende que a partitura de Francisco Manuel da Silva teria sido escrita às pressas, em 1831, para celebrar a abdicação de dom Pedro I. Como o imperador caíra em desgraça, sua música também foi condenada ao limbo. Outra hipótese é aventada pelo jornalista Marcelo Duarte, que pesquisou o assunto para escrever o recém-lançado livro infantil Ouviram do Ipiranga – A História do Hino Nacional Brasileiro. Segundo ele, a música de Francisco Manuel da Silva teria sido composta em 1822, para celebrar a independência do Brasil, e engavetada porque o imperador, obviamente, preferia a partitura que ele próprio criara. Em ambos os casos, a história do plágio seria aceitável. Após estudo aprofundado, musicólogos chegaram à conclusão de que Matinas de Nossa Senhora da Conceição, que não está datada, é de 1821 ou 1822. Nessa época, Francisco Manuel da Silva trabalhava como copista e arquivista da orquestra da corte. Ou seja, é muito provável que a partitura tenha passado por suas mãos, já que praticamente toda a produção musical de compositores importantes chegava até ele. Pouco depois de compor Matinas..., Nunes Garcia ficou esclerosado. "Ele era incapaz de reconhecer as próprias composições que criara. Francisco Manuel da Silva se aproveitou da doença do mestre e copiou o tema", afirma o regente Marcelo Antunes Martins, que, à frente da Orquestra de Câmara de Indaiatuba, especializada no repertório barroco, lança em abril a primeira gravação comercial de Matinas de Nossa Senhora da Conceição.



A questão é polêmica. O maestro Sérgio Dias, que trouxe a partitura à tona, acha que não se pode falar exatamente em plágio. "O tema de Nunes Garcia foi desenvolvido por Francisco Manuel da Silva noHino Nacional num contexto de citação, procedimento comum na época, talvez até como homenagem ao mestre", diz ele. Outro musicólogo, Paulo Castagna, da Universidade Estadual Paulista, acha que tudo pode ser apenas uma coincidência. "É bom lembrar que as temporadas líricas chegaram ao Brasil por volta de 1821, e a ópera italiana exerceu grande influência sobre os compositores brasileiros", comenta ele, que reconhece no Hino Nacional alusões a árias escritas por Franz Liszt (Don Sanche) e Giovanni Pergolesi(La Serva Padrona). O cravista e pesquisador Marcelo Fagerlande encontrou outro trecho semelhante ao Hino Nacional num estudo incluído pelo padre José Maurício em seu Método de Pianoforte – pelo qual provavelmente Francisco Manuel da Silva estudou. A controvérsia guarda uma ironia. Apesar da fragilidade poética da letra escrita em 1909 pelo crítico Osório Duque Estrada, o hino brasileiro é um dos mais belos entre seus pares no mundo por causa da melodia criativa. Ele pode ser fruto da inspiração de um dos melhores compositores do país em todos os tempos, que estava vivo na época da independência, e a quem o hino poderia ter sido encomendado não fosse sua doença. Por linhas tortas, essa inspiração chegou à partitura pela pena de copista de Francisco Manuel da Silva.

MUSICLIN - MUSICOTERAPIA CLÍNICA

Qual é o tom, maestro? Estudo encontra região frontal do cérebro que acompanha a tonalidade da música

Segundo a lei nº 259 de 1/10/1936, a versão original da melodia de Francisco Manoel da Silva (Hino Nacional Brasileiro), comenta que a mesma seja executada no tom de Si bemol maior, por orquestras e bandas, e que para o canto seja tocado o arranjo do maestro Alberto Nepomuceno, em Fá maior.
Mude o tom, os instrumentos, os cantores ou o maestro e, desde que as relações entre as notas sejam mantidas, a música ainda será a mesma: o Hino Nacional Brasileiro. Desafine, no entanto, e qualquer pessoa sem noção musical alguma chiará. Qual é o truque? O cérebro humano é capaz de identificar os intervalos entre notas sucessivas - a melodia - e avaliar se cada uma se encaixa no contexto - o tom da música. Em outras palavras: mesmo que você não saiba dizer o tom de uma música, seu cérebro consegue avaliar se cada nota pertence àquele tom.

HINO NACIONAL BRASILEIRO

1ª parte
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heroico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.



Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada 
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!


Dos filhos deste solo
És mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!

2ª parte

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- Paz no futuro e glória no passado.


Mas se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo
És mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!

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Apaixonada pela letra e música do nosso hino nacional, em pesquisas, deparo-me com um belíssimo estudo efetuado pelo escritor Fábbio Cortêz, o qual transcrevo alguns parágrafos.

"Autoria do hino 

A música, composta em 1822, é de Francisco Manuel da Silva (Rio de Janeiro/RJ, 1795 – Rio de Janeiro/RJ, 1865), que foi diretor musical da Capela Real, compositor, maestro, professor, posteriormente mestre-de-capela da Imperial Câmara, além de fundador do Conservatório do Rio de Janeiro, atual Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 


Tentou-se adaptar algumas outras letras à melodia estabelecida, mas a atual – e definitiva – , escolhida por meio de concurso em 1909, é de Joaquim Osório Duque-Estrada (Pati do Alferes/RJ, 1870 – Rio de Janeiro/RJ, 1927), escritor, crítico literário, professor, jornalista e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL). 



Note que o autor da letra nasceu cinco anos depois da morte do autor da música. O texto só foi oficializado como letra do Hino Nacional em 6 de setembro de 1922, véspera do Centenário da Independência, por Decreto do então presidente Epitácio Pessoa".  

"... o entendimento simplificado da letra, em versão livre, mantendo-se a separação das estrofes originais

I
As margens tranquilas do riacho Ipiranga ouviram o grito forte de um povo heroico e o sol da Liberdade, em raios cintilantes, brilhou no céu de nossa Pátria naquele momento.

Contigo, ó Liberdade, o nosso peito desafia a própria morte se conseguimos conquistar a garantia dessa igualdade com firmeza!

Ó Pátria amada, por quem transbordamos de amor, damos "Vivas" a ti!

Meu Brasil, um sonho intenso, um raio nítido de amor e de esperança desce à terra se a imagem da constelação "Cruzeiro do Sul" brilha intensamente em teu céu formoso, risonho e claro.

Gigante corajoso, pela própria natureza és belo e forte, e no futuro será notória essa grandeza.

Entre outras mil terras, tu és adorada, ó Pátria amada, meu Brasil!

Tu és, Pátria amada, a mãe generosa dos filhos deste solo.

II
Ó meu Brasil, rico ornato da América, tu brilhas iluminado à luz solar deste jovem continente, estabelecido para sempre neste solo extenso e rico ao som do mar que dominas e à luz dum céu inigualável.

Brasil, teus risonhos e lindos campos têm mais flores do que a terra mais vistosa, assim como nossos bosques têm mais vida e nossa vida em teu coração tem mais amores que qualquer outra terra.

Ó Pátria amada, por quem transbordamos de amor, damos "Vivas" a ti!

Brasil, que a bandeira estrelada que tu exibes com orgulho seja símbolo de amor eterno e suas cores verde e amarela digam "Temos Glória no passado e ansiamos pela Paz futura".

Mas se para a guerra tu ergues a arma forte da justiça, verás que um filho teu não foge à luta e quem te adora não teme nem mesmo a própria morte.

Entre outras mil terras, tu és adorada, ó Pátria amada, meu Brasil!

Tu és, Pátria amada, a mãe generosa dos filhos deste solo. "

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Copyright Fabbio Cortez 


quinta-feira, 17 de março de 2011

PALAVRAS POSITIVAS, MUDANÇAS SIGNIFICATIVAS - Hal Urban

Teriam as palavras o poder para mudanças significativas em nossas vias?

O quanto nos afetam palavras negativas e quanto podem nos transformar palavras positivas.

"Se palavras amáveis podem ser curtas e fáceis de falar, mas seus ecos são infinitos"  com tão bem descreveu Madre Teresa, porque será que damos mais valor as palavras de reprova, aquelas que denigrem uma atitude, em detrimento a elogios, a brados de louvor, de carinho, de afeto de amor.

HAL URBAN é mestre em História e doutor em Educação e em Psicologia pela Universidade de São Francisco. Durante 35 anos lecionou para estudantes de segundo grau e universitários e defende um investimento maior dos educadores na formação do caráter dos jovens. Urban é um conferencista requisitado e coordena oficinas com professores, alunos, pais e empresários. Pai de três filhos vive na Califórnia com sua mulher Cathy.

Seu instinto investigativo e atento ao ensino e comportamento humano  pode perceber que "as palavras nos tornam humanos, podem mudar vidas", porque "as palavras são escolhas".

"Num mundo muitas vezes frio e distante, mensagens capazes de levantar o ânimo são como fontes de calor e conforto. Todos nós, de tempos em tempos, precisamos de estímulo, e já se viu que algumas poucas linhas de elogios podem transformar uma vida - e até mesmo uma vida". Fred Bauer pág.174)


comentários de Inajá Martins de Almeida

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Urban, Hal.   Palavras positivas, mudanças significativas  / Hal Urban; tradução de Claudio Figueiredo.  -  Rio de Janeiro: Sextante, 2007. 

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

NÃO NASCEMOS PRONTOS - Mario Sergio Cortella

Quando de uma palestra do autor, a indicação do livro chama-me atenção. Agora cá está ele em minhas mãos.

O que faço então?

Primeiro passo: admiro a própria capa e lá encontro a indicação de que provocações filosóficas envolvem o não nascermos prontos.

Segundo passo:  aprofundo-me um pouco mais quando encontro o autor a nos elucidar de que "é a insatisfação que nos move" que "quando estamos insatisfeitos, criamos, inovamos, refazemos, modificamos e, assim, vamos nos construindo".

Terceiro passo: detenho-me tempo demorado no prefácio. É sempre um momento mágico, onde aquele que da obra fala, dá-nos pistas do que iremos encontrar nas páginas que nos convidam à leitura.  Percebo a inquietação do filho incumbido a prefaciar o livro do próprio pai. Tarefa difícil para qualquer um, mas que logo se vê mais a vontade, pois qualquer deslize seria relevado, uma vez que se não nascemos prontos, o dia-a-dia está a nos ensinar, a nos enriquecer em aprendizado; que os questionamentos levam ao aprendizado que gravita desde a era pré-cristã à nossa modernidade.  E, por fim, ao término da leitura, uma sensação de querer mais, de que o tempo foi vivido naquelas páginas. De que perguntas podem e devem gerar conhecimento. E, acima de tudo, deixa-nos uma "pensata" que, a mim fez vibrar e querer adentrar o universo do autor sem perda de tempo, pois "uma das melhores formas de se viver o tempo é ao lado de um bom livro. Aproveite!"  diz André Cortella


Quarto passo: adentro o conteúdo e logo encontro nas primeiras linhas Guimarães Rosa a chamar atenção ao fato de que "o animal satisfeito dorme". Assim percebo o quanto a insatisfação nos leva a tornar claro a escuridão que nos permeia.

Quinto passo: aqui me rendo quando na contra-capa o autor esclarece que "gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta e vai se fazendo". Nosso grande desafio, portanto, é resistir a inércia, ao repouso. O estar insatisfeito nos leva a conquistar, a criar, inovar, aperfeiçoar, modificar.

Surpreendentes as 31 "pensatas".


comentários de Inajá Martins de Almeida
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Cortella, Mario Sergio.   Não nascemos prontos!: provocações filosóficas.  /  Mario Sergio Cortella.   10 ed.  Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O QUE É SER UM VERDADEIRO AMIGO?

Texto de Inajá Martins de Almeida 

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Num tempo em que percebemos que o amor entre os homens está a se esfriar; em que os filhos se voltam contra os pais; pais contra filhos (Mt 24:12), será possível encontrar amigos verdadeiros, que não se intimidem ante os sacrifícios, ante as adversidades impostas pelas barreiras das circunstâncias momentâneas e se lancem ao bem-estar do seu próximo?


Num tempo em que os noticiários apontam para atrocidades de maridos ceifando vidas de esposas; pais valendo-se de abusos e até óbitos de suas filhas e filhos, professores sendo ultrajados, valores morais e sociais invertidos – o mal em bem, o bem em mal - poderíamos pensar que é possível encontrar amigos verdadeiros, tal qual nos é apontado no Livro Bíblico, quando Jesus, estando em Cafarnaum, é surpreendido por quatro homens que levam o amigo paralítico à sua presença?


O filósofo grego Aristóteles (Atenas 384 – 322 aC) diz que “a amizade é haver uma alma em dois corpos”.






quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A DESCOBERTA DA ESCRITA - Ignácio de Loyola Brandão

Tentava escrever e eles surgiam, levando todo o material. Confiscavam e sumiam. Sem satisfações, mas também sem recriminações. Não diziam nada, olhavam e recolhiam o que estava sobre a mesa.

Tentou mudar de casa, não adiantou. Eles chegavam apenas a caneta tocava o papel. Como se aquele toque tivesse a capacidade de emitir um sinal, perceptível somente por eles, como o infra-som para um cachorro. Levaram todos os papéis. E quando ele tentou comprar, as papelarias não venderam sem a requisição oficial. Nenhum tipo de papel, nada. Caderno, cada criança tinha direito a cotas estabelecidas. Desvio de cadernos era punido com degredo perpétuo. Rondou as padarias e descobriu que o pão era embrulhado em plásticos finos, transparentes...



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O TREM DAS ONZE NAS MINHAS LEMBRANÇAS

Texto de Inajá Martins de Almeida 
publicado no site São Paulo minha cidade (http://www.saopaulominhacidade.com.br/)
em 15 de janeiro de 2011

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Minha São Paulo querida, em verso e prosa cantada me faz retornar a infância distante. Do interior, nos meus três anos, adentramos aquele terreno imenso, a casa pequena, terra por todos os lados, tal qual uma ilha. Era a década de 50...

<continue lendo>

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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O PEREGRINO - John Bunyan


Em mãos O PEREGRINO. Há tempo passava-me sua leitura, porém, outras eram colocadas em seu lugar.



Quem sabe pela longa espera, demoro-me a apreciá-lo. Faço então um breve contato físico. Toco o livro todo; sinto a tessitura do papel, a cor, o formato; aprecio a capa, o nome do autor em tipo itálico, a imagem central, pequena, em tons fortes, obra prima de Edward  Harrison May (1824-1887) - Christian at the Cross - contrastando com a marca d'água e a cor discreta da capa e contra-capa.


O título nos dá a perceber que somos peregrinos em busca de nossa mansão espiritual – nossa verdadeira morada. 


A leitura técnica é feita observando cada detalhe: orelhas, página de rosto, ficha catalográfica, dados gráficos, o sumário, o prefácio... 


Degusto uma a uma as palavras  de seu prefaciador e tradutor Eduardo Pereira e Ferreira e detenho-me numa palavra "transcriação" e maravilho-me, quando se faz porta voz do autor que nos convida a leitura de "seu livro com a cabeça e o coração"  e, como objetivo, oferece uma transcriação da apologia do autor.


Absorvo e abstraio alguns versos e me prostro ante a  destreza da escrita que, num  período  conturbado, de prisões, lutas interiores, questionamentos vários, o autor em cárcere (1675) se vê a tecer, em parelhas ritmadas,  as estrofes de sua composição poética:



Quando no início, peguei da pena

A escrever, mal imaginava a cena,

Que fora compor assim um livrete.

Não, pensava em outro motete,

Mas, já quase concluído – por quê, não sei,

Sem me dar conta, a este me atirei.

...

O livro em que me debruço a escrever.

E assim fiz, sem ter ainda ideia distinta

De assim exibi-lo a todos, papel e tinta.

Só pensava em fazer nem sei quê;

Nem me esforcei, portanto, não vê?

Por agradar ao próximo, não,

Pois o fiz para mim mesmo, adulão.

...

Assim, pena ao papel, com prazer tanto,

Logo vazei as ideias em preto e branco.

Pois sabendo já o método, todo aceso,

Arranquei e tudo me veio; e, teso,

Escrevi até afinal vir a obra ao lume

Essa grandeza de doce, fino perfume. 

...

Brotam do mesmo livro os raios de luz e o brilho

Que transforma mesmo a noite mais escura em idílio?

...

E agora, antes ainda de largar minha pena,

Mostrarei o valor do meu livro nessa arena.

...

Este livro perante teus olhos traceja

O homem que ao prêmio perene almeja;

...

Este livro de ti fará verdadeiro viajante.

E se por ele te deixares guiar adiante,

Até a Terra Santa te levará, nas monções,

Desde que compreendas as suas orientações.

...

Em palavras tais está este livro escrito,

Que até aos lânguidos desperta o grito.

...

Queres tu mesmo ler, sem sequer saber o quê,

Sabendo, porém, por essas linhas mesmas que lês,

Se estás ou não abençoado? Ah, vem então,

E abre meu livro, uma só mente, um só coração”.

...

John Bunyan (1628-1688)


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E permaneço extasiada, olhos fixos, mente arguta a sorver as palavras e a pensar em seu autor, vivendo numa época em que as perseguições a ideias contrárias ao estabelecido da época eram levadas as condições extrema. 


Este, então,  inicia seu relato no cárcere em 1675. Em 1678 a obra é lançada em Londres.

  


Assim, decorridos 333 anos de sua primeira edição (1678-2011), cá estou eu a ler esta que se tornou uma das obras mais vendidas em todo o mundo.


À mente me vem Jeremias 33:3 quando :


“Invoca-me, e eu te responderei, e te direi coisas grandes e ocultas que tu não sabes...”


Creio que muito ainda terei a escrever no decorrer desta leitura. Coisas ocultas me serão reveladas. Acompanhe-me caro leitor.

    


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comentários e transcrições de Inajá Martins de Almeida

(*) Jefferson Magno Costa - texto referenciado 

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Bunyan, John.   O peregrino.   /  John Bunyan.  Tradução Eduardo Pereira e Ferreira. – São Paulo: Mundo Cristão, 2006.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O ESCRITOR NA ESCADARIA DO TEATRO MUNICIPAL - Inajá Martins de Almeida



Dezessete horas - década de 70 (não posso precisar o ano, vaga-me a memória). Poderia também ser um mês qualquer, apenas sei que não chovia, o sol ainda emanava seus últimos raios, num final de tarde quente, naquela que representava a terra da garoa e dos lampiões de gás. Era o momento em que deixava meu trabalho e saia para o lanche da tarde misturando-me ao movimento intenso de transeuntes, cortando as ruas centrais da capital paulista...



terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

COMO FAZER AMIGOS E INFLUENCIAR PESSOAS - Dale Carnegie

Seja um líder


0 trabalho de um líder geralmente inclui a modificação das atitudes e do comportamento das pessoas. Eis algumas sugestões para conseguir isso:



  • Princípio 1: Comece com um elogio e uma apreciação sincera.
  • Princípio 2: Chame indiretamente a atenção sobre os erros alheios.
  • Princípio 3: Fale de seus próprios erros antes de criticar os das outras pessoas.
  • Princípio 4: Faça perguntas em vez de dar ordens.
  • Princípio 5: Não envergonhe as outras pessoas.
  • Princípio 6: Elogie o menor progresso e também cada novo progresso. Seja "caloroso na sua aprovação e generoso no seu elogio".
  • Princípio 7: Atribua a outra pessoa uma boa reputação para que ela se interesse em mantê-la.
  • Princípio 8: Incentive a outra pessoa. Faça que os erros pareçam fácil de corrigir.
  • Princípio 9: Faça a outra pessoa sentir-se satisfeita fazendo o que você sugere.

Para ler o livro na íntegra, acesse o site



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Carnegie, Dale -  Como fazer amigos e influenciar pessoas.   / Dale Carnegie.   Fernanda Tude de Souza, trad.   45 ed.  Companhia Nacional. 

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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

APRENDER A LER E ESCREVER ALTERA... Lígia Formenti e Alexandre Gonçalves

Aprender a ler e escrever altera a forma de funcionamento do cérebro 

Escrito por Lígia Formenti e Alexandre Gonçalves - O Estado de S.Paulo


"As mudanças provocadas pelo aprendizado da leitura não se limitam à melhora na qualidade de vida. Estudo conduzido pelo Centro Internacional de Neurociências da Rede Sarah, com a colaboração de cientistas de Portugal, França e Bélgica, demonstra que aprender a ler e escrever altera a forma de funcionamento do cérebro".

Muito interessante a pesquisa. Para continuar acesse o site 


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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O DIÁRIO DE ANNE FRANK - Anne Frank

"Na sexta-feira, 12 de junho, acordei às seis horas... Era dia do meu aniversário... corri à sala de estar para desembrulhar meus presentes. O primeiro que me saudou foi você e, possivelmente o melhor de todos... Acho que vamos ser grandes amigos... "

"Quem além de mim mesma, lerá estas cartas?"

"Oh! Quanta coisa ferve dentro de mim..."

"Eis por que, no final, acabo sempre voltando para este meu diário. Aqui começo e aqui termino, porque Kitty está sempre disposta a ouvir-me..."

"Só desejaria poder ver os resultados e também que, de vez em quando, uma pessoa que gostasse de mim me animasse e encorajasse."



Por que eu, Inajá, demorei tanto a te encontrar? 
Sabia de sua existência: muitos de ti me falaram. Indicações para sua leitura não me faltaram, mas a curiosidade somente veio agora, decorridos tantos anos.
Estou a ler tuas memórias Anne e me apaixono por tuas palavras, as quais me levam, muitas vezes às lágrimas. 
Estamos então em janeiro do ano de 2011. Quanto tempo decorrido entre seus questionamentos e os meus.
Uma vida ceifada aos quinze anos. Uma escritora impotencial que não pudera ver suas palavras encontrarem eco em tantos corações.
Duas amigas fiéis - Miep e Elli - souberam pronunciar palavras de sabedoria, num momento tão crucial, negando o auxílio dedicado ao grupo refugiado da fúria do regime que imperava naquela década de 1940 e eis que seu diário passa de mãos em mãos.


"Tenho muito medo de que as pessoas que me conhecem superficialmente venham a descobrir que possuo um outro lado, melhor, mais bem-cuidado. Receio que riam de mim, que me achem ridícula e sentimental, que não me levem a sério. Estou acostumada a não ser levada a sério..." 

E, suas últimas palavras em 1º de agosto de 1944, deixariam um legado para as gerações vindouras, quando seu coraçãozinho de adolescente, nos seus quinze anos deixaria registrado suas preocupações, seus anseios por se auto aperfeiçoar dia-após-dia, mesmo em meio a tanta adversidade.
Anne Frank "pequeno feixe de contradição".
Nisto é que você se tornou!... 
E continuo tentando encontrar a maneira de ser como desejo ser, como poderia ser, se... se não houvesse mais ninguém vivo neste mundo... 


Anne Frank vive.


Inajá Martins de Almeida




saiba mais 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anne_Frank
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Frank, Anne.   O diário de Anne Frank   /  Anne Frank.   tradução de Elia Ferreira Edel.  Circulo do Livro, 1974.
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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

NÃO ESPERE PELO EPITÁFIO - Mario Sergio Cortella

Encontro no prefácio, Janete Leão Ferraz a escrever sobre o autor:

"Ele é assim mesmo: irônico-humorado, erudito e um "neopensante" contumaz".

Realmente, participamos recentemente de uma brilhante palestra em que o autor faz reflexões e nos coloca a pensar e refletir (confira o link http://blog-inaja.blogspot.com/2010/12/projeto-educacao-em-prosa.html)

O mesmo acontece com o livro o qual "atiça desejos de refletir sobre como é que a vida é... Provoca gentil e deliciosamente, aguça os sentidos. Conduz o leitor para além do lugar comum e desperta o desejo de se buscar sempre e de se encontrar na maioria das vezes".


E tudo flui - panta rei.


Presente de meu filho, nora e neta neste final de ano, a inscrição fala forte ao meu coração quando:


"Mãe, sogra e avó. Para que este livro seja inspiração das obras, e que transcenda, segundo o autor, aquela forma nostálgica e lamentadora de um "eu devia ter..." Beijos... 24/12/2010


Sim, a obra é inspiradora.
Traz consigo o alerta para que repensemos nossos valores.
Utilizemos mais o "nosotros" que nos une aos outros em detrimento ao nós que nos separa dos outros - quando colocamos o nós de uma forma, as vezes, até superior aos outros, porque "afinal, quem são os outros de nós mesmos? O mesmo que somos para os outros, ou seja, outros!... "Nósoutros". Isso sim pode gerar um novo mundo..."


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Cortella, Mario Sergio.   Não espere pelo epitáfío: provocações filosóficas.   /  Mario Sergio Cortella.   -  7ª ed.    - Petrópolis, RJ : Vozes, 2010.

domingo, 2 de janeiro de 2011

QUAL É A TUA OBRA?

No dia 24 de dezembro de 2010, David, Patrícia e Rafaela me presenteiam com mais um livro.

O título 
Qual é a tua obra? 

O autor 
Mario Sergio Cortella,o qual dias antes pudéramos conhecer ao participar de profícua palestra no SESC.

A dedicatória 
"Mãe, que este livro seja fonte de inspiração para a sua vida".

A recepção 
Pode ser mais significativo? Para um dia que tem uma representação marcante em nossas vidas, ser agraciada com um livro (uma bibliotecária sabe muito bem o que isto significa), presente do filho - não há paga maior e melhor.

A percepção
Livro em mãos, mentalmente, sintetizo o conjunto: 
  • o autor - através das entrelinhas do título, subtítulo e da capa; 
  • meu filho - por meio do brilho contagiante do seus olhar 
  • minha pré leitura - silenciada em meu coração, quando, da leitura breve, pude responder a mim mesma, sem cogitar:  - minha melhor obra é você David -  meu filho.
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A partir do que passo a registrar algumas impressões quando de sua leitura, por sinal, serão muitas releituras.

Logo no subtítulo da obra, o autor nos lança inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética, afinal:

QUAL É A TUA OBRA?
  • Será que é ser reconhecido? 
  • Desenvolver a capacidade de aprender sempre? 
  • Aproveitar as oportunidades? 
  • Conseguir enxergar o outro como outro, e não como estranho? 
  • Ser ambicioso, mas não ganancioso? 
  • Distinguir o que é essencial do que é fundamental?
  • ... 
Cada qual sabe a seu modo e tem suas conjecturas a respeito de si em relação as suas realizações enquanto ser vivente e pensante. 

É possível sentir-se confortável e seguro quando olhamos para nossas próprias obras? ou nos inquietamos, saímos de nossa própria área de conforto e nos aventuramos em busca do mais ante a insatisfação que nos acomete!   

Sim, adentro as entrelinhas e lá me encontro, neste segundo dia do ano de 2011 a projetar minha obra a um futuro focada na sinergia, porque:

"Num mundo que muda com velocidade, se eu não olhar o outro como fonte de conhecimento para mim, independentemente de onde ele veio, de como ele faz, do modo como ele atua, eu perco uma grande chance de renovação".

Porque:


"O outro me renova, nós nos renovamos"

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Cortella, Mario Sergio.   Qual é a tua obra? :  inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética  / Mario Sergio Cortella.  11 ed.  - Petrópolis, RJ : Vozes, 2010.

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