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"Entre livros nasci. Entre livros me criei. Entre livros me formei. Entre livros me tornei. Enquanto lia o livro, lia-me, a mim, o livro. Hoje não há como separar: o livro sou eu - Bibliotecária por opção, paixão e convicção".

Lemos porque a necessidade de desvendar e questionar o desconhecido é muito forte em nós”

"O universo literário é sempre uma caixinha de surpresas, em que o leitor aos poucos vai recolhendo retalhos. Livros, textos, frases, poemas, enfim, variadas formas de expressão que vão compondo a colcha de retalhos de uma vida entre livros. É o que se propõe".

Inajá Martins de Almeida

assim...

"Quem me dera fossem minhas palavras escritas. Que fossem gravadas num livro, com pena de ferro e com chumbo. Para sempre fossem esculpidas na rocha! (Jó 19:23/24)

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“Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância.”

Fernando Pessoa - Poeta e escritor português (1888 - 1935)

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sexta-feira, 25 de março de 2011

MUSEUS BRASILEIROS NA ERA VIRTUAL

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O ACERVO

A constituição do acervo da Casa de Cora Coralina é um projeto de organização e acumulação de vários dos tempos da vida da poeta, formando um arquivo geral de objetos, imagens e discursos preservados para evocar Cora e promover sua imortalização. No museu há diversos tipos de materiais, todos organizados, e de fácil acesso aos turistas, com o intuito de preservar a memória da poetisa em simbiose com a comunidade de Goiás. Há desde peças de roupas, até fotos, utensílios domésticos, livros, móveis e cartas, no interior da casa; além do jardim nos fundos, e da bica de água potável.


quarta-feira, 23 de março de 2011

SEGREDOS DE QUEM É ESCRITOR

Jefferson Magno Costa
1º SEGREDO: Antes de verem o primeiro de seus livros publicado, os escritores que obtiveram mais sucesso, exerceram maior influência e marcaram para sempre a história da literatura, tornaram-se grandes conhecedores da língua que usaram...

2º SEGREDO: Os grandes escritores jamais se contentam com a primeira redação dos textos que escrevem. Eles os reescrevem e reescrevem...
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Belíssima explanação. A facilidade com que o autor transita de um texto a outro demonstra seu caminhar diário com grandes mestres da literatura; sua afinidade em compactuar a leitura aos leitores irmana-se a outros que, quantas vezes, sentem-se solitários em seu universo literário, mas que, incansáveis, almejam a proximidade dos afins das palavras e das letras.
A internet em muito vem favorecendo esses encontros riquíssimos. A despeito de grandes mestres, também encontro Eclesiastes, degustando palavra por palavra e fico a pensar o tempo que o “sábio” dispensava a cada uma, quando se colocava a meditar e estudá-las para levar conhecimento ao povo, buscando encontrar “palavras agradáveis” para que seus discursos fossem coroados de verdades e acertos.

Fico a cismar sobre o cuidado e zelo que o autor dispensava aos leitores, numa época em que, julgo, não serem tantos, porém, ele já manifestava sua sensibilidade em tornar públicas suas máximas, sabedor que era de que “as palavras dos sábios são como aguilhões e como pregos bem fixados são as palavras coligidas dos mestres” e, se há enfado por tanto estudar, também haverá momento em que o entendimento se tornará ferramenta ágil e perpétua para os que o buscam e livros poderão ser escritos, pois não há limites para se fazê-los.
Este fora o comentário postado no blog quando da leitura da matéria, o qual valeu a resposta que calou fundo esta que escreve:

Prezada Inajá Martins, observando seu interesse recorrente por nossos artigos relativos à arte de escrever e à literatura, vejo que em breve teremos uma grande autora (de livros, pois de artigos você já é) despontando no cenário editorial evangélico brasileiro. Desde já, deixo-lhe aqui minha saudação: Seja bem-vinda! Jefferson Magno Costa

ESCRITOR NO BRASIL

O que é preciso para ser escritor no Brasil

 

Para ser escritor neste nosso inculto e ignaro país, antes de qualquer outra coisa, é preciso NÃO SER escritor. Sim, pois é praticamente impossível viver do que se escreve, em especial no caso de ser um “escritor iniciante”. Assim, é preciso ter outra profissão, outra atividade que permita o pão de cada dia, uma vez que os ganhos com a profissão de escritor são insuficientes para manter vivo o próprio, quanto mais ele e a família.
... Para tornar-se escritor, mormente no Brasil, é preciso que o indivíduo:

 

  • 1. Seja imune à desmotivação... 


  • 2. Esteja consciente de que ser escritor é abraçar uma profissão e, portanto, é necessário investir na mesma...

  • 3. Entenda que não é possível obrigar distribuidores, livrarias e livreiros a comprar um título ou mesmo aceitá-los...

  • 4. Veja com atenção e entenda os mecanismos de divulgação que a editora por demanda oferece. Escrever um livro, publicá-lo e não divulgá-lo é o mesmo que ter um filho e não educá-lo...


Por fim, do alto de meus 1.100 livros e publicados (www.ryoki.com.br) tenho um conselho a dar para aqueles que possuem a ambição de tornar-se um escritor profissional: 


Escreva. Escreva sempre e qualquer coisa. Depois filtre o que escreveu e verá quanto é possível aproveitar. E leia. Leia muito. Só consegue escrever aquele que lê. A leitura é equivalente à teoria numa profissão. Da mesma forma que um médico precisa conhecer as matérias teóricas para poder ser um bom médico, um escritor precisa conhecer outros autores e outras obras para ser realmente escritor. Claro está que a prática é necessária tanto para o médico como para o escritor. Para o primeiro, a prática está no trabalho num grande hospital e para o segundo, está em escrever, como disse, sempre e sobre qualquer assunto. 


E, também, é preciso que o autor iniciante tenha a humildade de entender que ninguém nasce sabendo. O médico precisa cursar uma faculdade de medicina e o escritor deve entender que não lhe fará nenhum mal fazer um curso sobre como escrever um livro... 
Assim, depois de toda essa propaganda, nosso conselho é que aquele que deseja tornar-se um escritor profissional jamais desista desse intento. Ser escritor é maravilhoso, mas como em toda e qualquer profissão, requer uma boa dose de sacrifício e outro tanto de determinação. E, principalmente, de humildade.
Por Ryoki Inoue

domingo, 20 de março de 2011

A CONTA DO TEMPO - em quatro versões

TEMPO PARA TUDO
                                          Eclesiastes (1.000 aC - aprox.)
Tudo tem seu tempo próprio
e há momento adequado para todo propósito debaixo do céu:
Tempo de nascer,
tempo d morrer,
tempo de plantar,
tempo de arrancar o que se plantou;
tempo de matar,
tempo de curar
tempo de procurar
tempo de perder
...
tempo de abraçar,
tempo de afastar-se de abraçar
...
tempo de estar em silêncio,
tempo de falar,
tempo de amar,
tempo de odiar,
tempo de guerra
tempo de paz
...
O que é, já existiu;
e o que está para ser também já existiu;
e Deus pede conta do que já se passou.
...
Vi que não há nada melhor para o homem
do que se alegrar com as suas obras;
porque essa é a sua alegria;
pois quem o trará de volta
para ver o que será depois dele?
                                   (Adaptação do Livro de Eclesiastes cap.3 vers.1/22)

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SONETO
                                 Frei Antônio das Chagas (1631-1682)

Deus pede hoje estrita conta do meu tempo
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas como dar, sem tempo, tanta conta
Eu que gastei sem conta tanto tempo?

Para ter minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado e não fiz conta.
Não quis, tendo tempo, fazer conta.
Hoje quero fazer conta e não há tempo.

Oh! Vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo em fazer conta.

Pois aqueles que sem conta gastam tempo,
Quando o tempo chegar de prestar conta,
Chorarão, como eu, se não der tempo.

http://www.avspe.eti.br/coutinho/mestres/FreiAntoniodasChagas.htm
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CONTA E TEMPO
                                      Laurindo Rabelo (1826-1864)

Deus pede estrita conta do meu tempo
É forçoso do tempo já dar conta;
Mas, como dar sem tempo tanta conta
Eu, que gastei sem conta tanto tempo!

Para Ter minha conta feita a tempo
Dado me foi bom tempo e não fiz nada
Não quis sobrando tempo fazer conta
Quero hoje fazer conta e falta tempo.

Ó vós que tendes tempo sem Ter conta,
Não gasteis esse tempo em passatempo:
Cuidai enquanto é tempo em fazer conta

Mas, ah! Se os que contam com seu tempo
Fizessem desse tempo alguma conta
Não choravam como eu o não Ter tempo!

http://arnaldovcarvalho.wordpress.com/2010/12/16/1043/
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A CONTA DO TEMPO
                                              Inajá Martins de Almeida (1950-

I
A conta do meu tempo,
Quantas vezes, sob pressão, obrigada fui dar conta;
Sem tempo para tanta conta,
Quanta conta fiz, que nem percebi o passar do tempo.

Enquanto fazia a conta do tempo,
Deixava o tempo rolar sem fazer conta;
Esquecendo o tempo, mal pudera supor que o que se conta,
É o que se perde e de volta não trás o tempo.

Por conta de tanta conta, ocupava o tempo,
E da exaustão não me dava conta;
Era-me forçoso apenas dar conta em tempo.

Quando vi então, que buscava tempo sem conta,
Para resgatar o passado, esquecido no tempo,
Percebi a conta do que não fizera, ou pudera fazer conta.

II
Se pudesse voltar ao tempo,
E entender o que se conta,
Na certa não gastaria sem conta,
A conta que nos reserva o tempo.

Saberia que a cada qual, fora dado sua conta:
Cada conta com seu tempo;
Conta de passatempo,
Tempo de faz-de-conta.

Início, meio e fim conta o tempo;
A todos, sua conta
Que, a seu tempo, terá de prestar conta.

E, enquanto há roubadores do tempo, sem conta,
Multiplicadores de conta no tempo,
Há quem não faz conta e perde o tempo.

III
Não posso, contudo, saber se minha conta,
Inevitável fora ao tempo,
Pois, envolvida no torvelinho do tempo,
Mal tinha tempo para perceber e fazer conta.

Deixava-me levar pela conta do tempo:
Ora prestava conta,
Ora o tempo levava a conta;
E assim, a conta fazia o tempo.

Tempo perdido na conta,
Na conta que não se conta;
Na conta que consumiu o tempo.

Tempo de contratempo,
Conta que subtraiu o tempo;
Tempo apenas que fêz-de-conta.

IV
Hoje, contudo, o passado tempo,
Faz conta do que se conta;
Espera o futuro sem conta,
Na conta, da contra mão do tempo.

Tempo que a esperança conta,
De um encontro além do tempo,
Com Aquele que é dono do tempo,
E que, de nossas contas, faz tanta conta.

Aquele que deu nova vida ao tempo;
Apagou toda má conta,
Deu início a um novo tempo.

Tempo de renovo que se conta,
Num vaso novo a prova do tempo;
Numa vida eterna, que o tempo não conta.

V
E se o tempo ainda me pedir conta,
Do que fiz, do que deixei de fazer a tempo,
Direi que já não tenho mais tempo,
Para perder tempo em fazer conta.

Que um novo sentido encontrei, para o meu tempo,
E isso é o que se conta;
Não me preocupo em prestar tanta conta,
Se agora eterno é meu tempo.

Do futuro não faço mais conta,
Pensar no passado, não sobra tempo;
O presente é o que se conta.

Não vivo ansiosa com a falta de tempo,
Não preciso mais prestar tanta conta;
Jesus me embala nos Seus braços, todo o tempo.

 Fonte: http://www.webartigos.com/articles/6343/1/A-Conta-Do-Tempo/pagina1.html#ixzz1H8BTujqu

sábado, 19 de março de 2011

LE LAC DE COME

Esta é para sonhar.



Giselle Galos (pseudônimo de C. Galos ou Galas) foi uma misteriosa do século 19 (provavelmente italiano , mas talvez o francês ) músico ecompositor [ 1 ] , cujo nome está associado a dois grandes sucessos da música de salão , "Le chant du Berger (Nocturne Op . 17) e "Le Lac de Come" (Op. Nocturne. 24). Ambas as peças são em forma de fácil noturnos . [ 2 ]
"Galos peças são compostas de clichês salão de estoque e aparecem nas coleções de peças para piano famoso [ 2 ] .
Não se sabe se os Galos era macho ou fêmea. Houve discordância sobre o que o primeiro nome foi o compositor, com sugestões de Celestino de Charles, desde que ele ou ela foi muitas vezes referido por C. Galos. Mas, recentemente, eles encontraram publicações de C. Galos 's Le Lac de Como, no âmbito Giselle Galos e Giselle Madame Galos. Isso confirma o nome completo do compositor, talvez, e que ele provavelmente era do sexo feminino; francês? Talvez [ 3 ]


http://en.wikipedia.org/wiki/C._Galos

GRANDE FANTASIA TRIUNFAL - Gottschalk - intérprete Eudóxia de Barros

O compositor, pianista e regente norte-americano Louis Moreau Gottschalk (1829-1869) foi um dos primeiros artistas estrangeiros a empolgar o público brasileiro no tempo de D.Pedro II... Sua “Grande Fantasia Triunfal com Variações sobre o Hino Nacional Brasileiro”, é de grande sucesso no repertório... A música, baseada no original de Francisco Manoel da Silva, foi dedicada à Condessa d”Eu , a Princesa Isabel...  A estréia da “Grande fantasia Triunfal” ocorreu no Rio de Janeiro em 1869, num “concerto-monstro“, executada por 650 músicos! Segundo carta que escreveu para seus amigos nos Estados Unidos, Gottschalk afirmou :“Os meus concertos no Brasil são um verdadeiro furor… o Imperador, a família Imperial e a Corte não perderam um só dos meus concertos e a minha “Fantasia Triunfal” agradou a D. Pedro II. Cada vez que me apresento, tenho que tocar essa obra… “...leia toda a matéria
Texto de Roberto Muggiati.
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Louis Moreau Gottschalk (New Orleans, 8 de maio de 1829 - Rio de Janeiro, 18 de dezembro de 1869). Filho de um negociante judeu de Londres e de uma haitiana creole, Gottschalk nasceu e foi criado em Nova Orleans onde foi exposto a uma grande variedade de influências musicais. Aprendeu a tocar piano muito cedo e logo foi reconhecido como um prodígio neste instrumento. Em 1840 deu seu primeiro concerto público no hotel St. Charles... continue lendo



Eudóxia de Barros (São Paulo18 de setembro de 1937) é uma pianista brasileira, importante figura da música erudita do Brasil.
Estudou com Guilherme Fontainha, Magda Tagliaferro, Nellie Braga, Lina Pires de Campos e o compositor brasileiro Osvaldo Lacerda, de quem atualmente é esposa. Aperfeiçoou-se na FrançaEstados Unidos e Alemanha. Venceu por unanimidade o concurso para solista da North Carolina Symphony, e foi solista da Cleveland Philharmonic Orchestra. Apresentou-se com grande brilho nas principais capitais do mundo e inúmeras cidades de todo o Brasil. Em 1979, publicou o livro Técnica Pianística. Gravou 31 discos. Em 3 de setembro de 1982 casou-se com seu antigo professor, Osvaldo Lacerda, e muito tem contribuido para divulgar a obra musical de seu marido. Recebeu o Prêmio Nacional da Música outorgado pela Funarte em 1995

HINO NACIONAL BRASILEIRO - controvérsias autoria




Até tu, Francisco?

E essa agora: estudiosos sérios suspeitam 

que o Hino Nacional é um caso de plágio

Celso Masson

 Compare aqui a semelhança entre o Hino
Nacional e a melodia de Nunes Garcia

O padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830) é uma das glórias da música erudita brasileira. Compositor de mais de 500 peças, foi mestre da Capela Real do Rio de Janeiro, posto mais alto a que podia chegar um músico em seu tempo. Conquistou-o graças ao talento, vencendo o preconceito. Era mulato, neto de uma escrava. Foi também teórico e regente. Conduziu a primeira apresentação do Requiem de Mozart nas Américas, em 1819, com tal maestria que sua performance repercutiu até na Áustria, terra natal do compositor. Francisco Manuel da Silva (1795-1865) era um aluno aplicado do padre José Maurício. Sonhava em ser grande como seu professor. Faltava-lhe, no entanto, a centelha do talento. Seus estudos pareciam servir-lhe apenas para perceber, com clareza cada vez maior, como o mestre era genial, mais ou menos como acontecia com Salieri em relação a Mozart. A posteridade foi injusta com os dois compositores. No século XX, estudiosos de música elevaram José Maurício Nunes Garcia à santíssima trindade da música erudita brasileira, ao lado de Carlos Gomes e Villa-Lobos. Já nas partituras de Francisco Manuel da Silva nada de muito interessante foi encontrado pelos especialistas. O aluno, no entanto, alcançou uma glória negada ao professor: ter uma música de seu opaco catálogo na ponta da língua de milhões de brasileiros. Sim, porque Francisco Manuel da Silva é o autor do Hino Nacional.

A história, no entanto, não acaba aí. Vários musicólogos brasileiros se debruçam, hoje em dia, sobre uma hipótese cada vez mais plausível: a de que o Hino Nacional, única faísca de brilho na fosca obra de Francisco Manuel da Silva, é, na verdade, cópia de um tema do padre José Maurício Nunes Garcia. A suspeita ganhou corpo em Juiz de Fora, em 1995. Durante o festival de música colonial da cidade, o mais importante do país na área do barroco, o maestro carioca Sérgio Dias executou, com orquestra e coro, um ofício religioso de autoria do padre José Maurício, Matinas de Nossa Senhora da Conceição. A platéia, composta em sua maioria de especialistas, ficou estarrecida. Havia um trecho incrivelmente semelhante ao Hino Nacional. De lá para cá, vários estudiosos começaram a estudar o assunto e os primeiros resultados estão saindo agora. Segundo os musicólogos, é perfeitamente plausível, cronologicamente, que Francisco Manuel da Silva se tenha baseado no tema para compor o hino. Os leitores de VEJA poderão comparar os trechos aqui no site de VEJA, tendo como base uma gravação ao vivo feita no próprio festival de Juiz de Fora.



Esclerose e ironia – Há várias versões sobre a origem do Hino Nacional. A primeira música criada com essa finalidade foi escrita pelo próprio imperador dom Pedro I, à época da emancipação do país, em 1822, e sobrevive com o título de Hino da Independência.O estudioso Aldo Pereira, autor do livro O Hino Nacional Brasileiro, defende que a partitura de Francisco Manuel da Silva teria sido escrita às pressas, em 1831, para celebrar a abdicação de dom Pedro I. Como o imperador caíra em desgraça, sua música também foi condenada ao limbo. Outra hipótese é aventada pelo jornalista Marcelo Duarte, que pesquisou o assunto para escrever o recém-lançado livro infantil Ouviram do Ipiranga – A História do Hino Nacional Brasileiro. Segundo ele, a música de Francisco Manuel da Silva teria sido composta em 1822, para celebrar a independência do Brasil, e engavetada porque o imperador, obviamente, preferia a partitura que ele próprio criara. Em ambos os casos, a história do plágio seria aceitável. Após estudo aprofundado, musicólogos chegaram à conclusão de que Matinas de Nossa Senhora da Conceição, que não está datada, é de 1821 ou 1822. Nessa época, Francisco Manuel da Silva trabalhava como copista e arquivista da orquestra da corte. Ou seja, é muito provável que a partitura tenha passado por suas mãos, já que praticamente toda a produção musical de compositores importantes chegava até ele. Pouco depois de compor Matinas..., Nunes Garcia ficou esclerosado. "Ele era incapaz de reconhecer as próprias composições que criara. Francisco Manuel da Silva se aproveitou da doença do mestre e copiou o tema", afirma o regente Marcelo Antunes Martins, que, à frente da Orquestra de Câmara de Indaiatuba, especializada no repertório barroco, lança em abril a primeira gravação comercial de Matinas de Nossa Senhora da Conceição.



A questão é polêmica. O maestro Sérgio Dias, que trouxe a partitura à tona, acha que não se pode falar exatamente em plágio. "O tema de Nunes Garcia foi desenvolvido por Francisco Manuel da Silva noHino Nacional num contexto de citação, procedimento comum na época, talvez até como homenagem ao mestre", diz ele. Outro musicólogo, Paulo Castagna, da Universidade Estadual Paulista, acha que tudo pode ser apenas uma coincidência. "É bom lembrar que as temporadas líricas chegaram ao Brasil por volta de 1821, e a ópera italiana exerceu grande influência sobre os compositores brasileiros", comenta ele, que reconhece no Hino Nacional alusões a árias escritas por Franz Liszt (Don Sanche) e Giovanni Pergolesi(La Serva Padrona). O cravista e pesquisador Marcelo Fagerlande encontrou outro trecho semelhante ao Hino Nacional num estudo incluído pelo padre José Maurício em seu Método de Pianoforte – pelo qual provavelmente Francisco Manuel da Silva estudou. A controvérsia guarda uma ironia. Apesar da fragilidade poética da letra escrita em 1909 pelo crítico Osório Duque Estrada, o hino brasileiro é um dos mais belos entre seus pares no mundo por causa da melodia criativa. Ele pode ser fruto da inspiração de um dos melhores compositores do país em todos os tempos, que estava vivo na época da independência, e a quem o hino poderia ter sido encomendado não fosse sua doença. Por linhas tortas, essa inspiração chegou à partitura pela pena de copista de Francisco Manuel da Silva.

MUSICLIN - MUSICOTERAPIA CLÍNICA

Qual é o tom, maestro? Estudo encontra região frontal do cérebro que acompanha a tonalidade da música

Segundo a lei nº 259 de 1/10/1936, a versão original da melodia de Francisco Manoel da Silva (Hino Nacional Brasileiro), comenta que a mesma seja executada no tom de Si bemol maior, por orquestras e bandas, e que para o canto seja tocado o arranjo do maestro Alberto Nepomuceno, em Fá maior.
Mude o tom, os instrumentos, os cantores ou o maestro e, desde que as relações entre as notas sejam mantidas, a música ainda será a mesma: o Hino Nacional Brasileiro. Desafine, no entanto, e qualquer pessoa sem noção musical alguma chiará. Qual é o truque? O cérebro humano é capaz de identificar os intervalos entre notas sucessivas - a melodia - e avaliar se cada uma se encaixa no contexto - o tom da música. Em outras palavras: mesmo que você não saiba dizer o tom de uma música, seu cérebro consegue avaliar se cada nota pertence àquele tom.